Senado decide não convocar testemunhas Do correspondente Paulo Sotero (assinatura obrigatória)
Washington, 04 (AE) - Depois de ter perdido todas as oportunidades que se apresentaram ao longo dos últimos meses para encerrar a novela político-sexual que levou ao segundo processo de destituição de um ocupante da Casa Branca, o Congresso dos Estados Unidos parecia, nesta quinta-feira (04), próximo de atender o desejo da maioria esmagadora dos norte-americanos e colocar o julgamento do impeachment do presidente Bill Clinton na reta final.
Essa perspectiva se abriu depois de uma reunião dos 55 senadores republicanos, na qual eles constataram que não havia os 51 votos necessários para aprovar a convocação de testemunhas para depor diante do Senado sobre o sórdido enredo que levou a Câmara de Representantes a acusar Clinton dos crimes de perjúrio e obstrução da Justiça, em dezembro passado, por causa das mentiras que contou para esconder seu caso com a ex-estagiária na Casa Branca Monica Lewinsky.
A votação do fim da tarde, na qual a proposta de convocar testemunhas para novas audiências foi derrotada por 70 votos a 30 pode levar à conclusão do julgamento dentro de uma semana, nos dias 11 ou 12, com a votação dos dois artigos de impeachment e a absolvição de Clinton, pois não há o mínimo de 67 votos ( ou dois terços) necessários para condená-lo e removê-lo do poder.
"Não creio que a presença de testemunhas adicionaria algo, se as convocássemos", disse o senador Ted Stevens, do Alasca, depois da reunião. "Não queremos nem precisamos delas", acrescentou seu colega de Kansas, Pat Roberts. Vinte e cinco senadores republicanos votaram contra o pedido dos deputados de seu partido, que atuam como promotores do impeachment, de intimar Monica, o advogado Vernon Jordan, que é amigo de Clinton
e Sidney Blumenthal, um conselheiro presidencial, no plenário do Senado.
Entre a segunda e a quarta-feira desta semana, os três respoderam separadamente ao interrogatório dos deputados-promotores, em sessões gravadas em videoteipe sem produzir nenhuma informação nova. Grupos de senadores viram os teipes dos depoimentos. Um deles disse que o mais difícil foi ficar acordado, de tão repetitivos e aborrecidos os depoimentos.
"Não houve nenhuma bomba nos depoimentos", admitiu hoje o presidente da Comissão de Justiça da Câmara, Henry Hyde, que comanda o pelotão de 13 deputados-promotores. "Não me parece que haja os votos para aprovar a convocação de testemunhas", afirmou, no início da tarde, o líder da maioria no Senado, Tret Lott, de Mississippi.
Ainda hoje, numa outra votação, o Senado autorizou aos promotores a apresentação dos teipes com o depoimento das testemunhas.
A idéia de buscar uma solução intermediária e evitar a absolvição de Clinton inspirou algumas propostas alternativas, mas nenhuma delas parecia ter ganho apoio.
De acordo com uma iniciativa da senadora Susan Collins, do Maine, em lugar de pronunciar-se sobre os crimes mencionados pelos artigos de impeachment aprovados pela Câmara, os senadores deveriam encerrar o julgamento sem um veredicto e aprovar, em seu lugar, uma resolução afirmando que consideram Clinton culpado dos crimes dos quais foi acusado e condenam seu comportamento.
Mas a minoria democrata contestou a constitucionalidade da iniciativa e ela parecia ter sido descartada, hoje à tarde.
O cenário mais provável, agora, é a votação dos dois artigos de impeachment na próxima semana, seguida da aprovação posterior de uma moção de censura a Clinton.
Esta idéia também é impugnada por alguns senadores como inconstitucional - o argumento é que a única punição possível para um presidente é o impeachment -, mas parece ter um número de adeptos suficiente para ser aprovada com amplo apoio dos dois partidos.
De um jeito ou de outro, o vexaminoso episódio, que empobreceu a vida pública dos EUA e desgastou as instituições do país parece estar próximo do fim, para alívio dos norte-americanos. Encerrado o julgamento do presidente, Monica estará livre para dar a duas entrevista que vendeu, por mais de US$ 1 milhão, para redes de televisão dos EUA e da Inglaterra, promover o livro autobiográfico que está terminando e faturar sua notoriedade no mercado das celebridades.





