Washington, 27 (AE-REUTERS) - Em duas votações sucessivas, nominais e rápidas, o Senado americano decidiu hoje (27) que o processo de impeachment contra o presidente Bill Clinton não será arquivado e o julgamento continuará com a convocação de três testemunhas: a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, o advogado de Washington Vernon Jordan e o assessor da presidência Sidney Blumenthal.
O resultado numérico das duas votações foi o mesmo: 56 senadores votaram pelo não-arquivamento do processo e pela convocação das testemunhas; 44 votaram pelo fim do julgamento e, depois, pela dispensa de novas audiências, com o objetivo de apressar a votação da sentença.
Esses números revelam o caráter partidário do processo que se desenvolve no Senado, onde os republicanos ocupam 55 cadeiras e os democratas, 45. O único senador da situação que votou com a oposição republicana hoje foi Russ Feingold, do Estado de Wisconsin.
Para aprovar a destituição de Clinton, porém, os republicanos precisarão de maioria de dois terços (ou 67 votos dos 100 senadores), e a votação de hoje indicou que dificilmente eles conseguirão convencer pelo menos 12 democratas a remover da Casa Branca um dos mais populares e bem-sucedidos presidentes deste século.
"O que vemos aqui é uma tentativa partidária dos republicanos de acabar politicamente com um presidente democraticamente eleito", disse, depois das votações, o líder da minoria democrata no Senado, Tom Daschle.
Ele assinalou que o voto dos 44 senadores que ficaram ao lado de Clinton hoje é suficiente para impedir o impeachment do presidente. "É hora de terminarmos com isso", acrescentou. "A conduta pessoal dele pode ser indefensável, mas não pode ser punida com a destituição."
Clinton é acusado de ter cometido perjúrio e obstrução da Justiça para ocultar a natureza sexual de seu relacionamento com Monica. A estratégia de sua equipe de defesa no Senado é convencer o júri (no caso, os senadores) de que o mecanismo constitucional de destituir presidentes não pode ser acionado para punir faltas pessoais.
Como punição alternativa, os democratas comprometem-se a apoiar uma moção de censura parlamentar contra Clinton por sua conduta adúltera.
Após a definição do Senado sobre o depoimento das testemunhas, o líder da maioria republicana na Casa, Trent Lott, pediu um recesso para debater com seus companheiros de partido os passos que tomarão agora. Um de seus porta-vozes, John Czwartacki, informou que ele planeja encerrar o julgamento até o dia 6.
De acordo com esse calendário, o depoimento das testemunhas começaria ainda amanhã. Eles estariam limitados à duração de seis horas, divididas igualmente pela acusação e pela defesa.
A Casa Branca, contudo, anunciou há alguns dias que - caso os republicanos aprovassem a convocação de testemunhas - pode pedir mais tempo para que a defesa examine novamente, página por página, todos os documentos do processo. Os advogados de Clinton podem até decidir-se pela convocação de suas próprias testemunhas.
A proposta aprovada pelos republicanos prevê que o depoimento dos três convocados seria prestado a portas fechadas. Uma corrente de parlamentares do partido defendia a tese de que as audiências deveriam ser abertas, num julgamento que tem sido transmitido ao vivo pela TV.
De acordo com essa tese, o depoimento de Monica, recheado de detalhes picantes, poderia reverter os altíssimos índices de popularidade de Clinton registrados nas últimas pesquisas e embalados pelos resultados obtidos pela administração da economia do país.

mockup