Brasília, 29 (AE)- Os líderes da coalizão governista continuam buscando soluções para os principais problemas que precisam ser resolvidos antes do início do recesso parlamentar. No Senado, eles procuram uma saída para o impasse causado pela resolução aprovada na semana passada e que autoriza a rolagem dos títulos estaduais e municipais emitidos irregularmente para o pagamento de dívidas judiciais (precatórios) mediante o questionamento judicial das emissões. A desarticulação do governo durante a votação colocou em situação difícil o Banco do Brasil, credor de R$ 5 bilhões em títulos da Prefeitura de São Paulo.
A diretoria do BB deverá encaminhar hoje ao Senado uma carta explicando as consequências econômicas e financeiras da manutenção da resolução que incluiu a rolagem dos títulos da Prefeitura de São Paulo entre as rolagens condicionadas ao questionamento judicial da validade das emissõe s. Os líderes buscam uma solução que não cause mais desgastes ao Senado, mas isso está muito difícil porque a solução menos desgastante deixaria o Banco do Brasil com o "mico" na mão, comprometendo o ajuste fiscal acertado com o FMI. "Não vamos deixar de resolver a questão por causa de pruridos", assegurou ontem o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PMDB-RN).
LDO - A votação da LDO está marcada para esta tarde, mas pode ser adiada para amanhã caso o quórum esteja baixo. A oposição pretende obstruir a votação, obrigando a base governista a garantir a presença de pelo menos 257 deputados e 42 senadores. O vice-líder do governo no Congresso, deputado Ronaldo Cezar Coelho (PSDB-RJ), está tentando contornar as divergências entre os partidos governistas sobre a distribuição dos recursos para a conservação, recuperação, pavimentação e construção de rodovias. A bancada do PFL baiano, controlada pelo presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), está patrocinando as emendas do deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), aprovadas na Comissão Mista de Planos e Orçamento, que estabelecem um critério favorável aos Estados com maior malha rodoviária não-pavimentada. O PMDB, sob a batuta do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB-RS), é contra esse critério. Se não houver acordo, o ministro recomendará o veto do presidente Fernando Henrique Cardoso.

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