Senado americano rejeita tratado que bane testes nucleares Do correspondente PAULO SOTERO
Washington, 13 (AE) - Impondo ao presidente Bill Clinton sua pior derrota em política externa, o Senado dos EUA rejeitou hoje (13), por 51 votos a 48, a ratificação do Tratado Abrangente de Banimento de Testes Nucleares (CTBT). A decisão ocorreu depois que, num gesto calculado para deixar para os republicanos a responsabilidade exclusiva pela rejeição do tratado - que era promovido por Washington como um passo crucial para o controle de armas de destruição em massa e foi firmado por mais de 150 países nos últimos três anos -, a Casa Branca e a bancada minoritária do Partido Democrata no Senado abandonaram as negociações para o adiamento da votação e avisaram que transformarão o assunto em tema da campanha eleitoral do ano que vem. A rejeição ocorreu mesmo com mais de 60% dos americanos manifestando-se a favor da ratificação.
Com a decisão do Senado, o CTBT torna-se letra morta, pois a ratificação pelos EUA - país que o propôs e possui a maior parte do arsenal de 35 mil armas atômicas do planeta - era condição para sua entrada em vigor. Há vários dias estava claro que Clinton não conseguiria o mínimo necessário de dois terços, ou 67 votos, para a aprovação do tratado no Senado. No início da semana, Clinton pediu por escrito o adiamento da votação, mas recusou-se a atender a condição proposta pelos republicanos de não mais apresentar o CTBT para ratificação.
Clinton chamou a atenção para a gravidade da decisão dos senadores equiparando um voto contra o CTBT à rejeição pelo Senado, após a 1ª Guerra, do Tratado de Versalhes, que previu a criação de uma Liga das Nações três décadas e uma guerra mundial antes do advento da ONU. Especialistas em controle de armas afirmaram nos últimos dias que a morte do CTBT no país que o propôs abrirá uma nova rodada de testes nucleares, especialmente na ásia, onde o Paquistão, a Índia e, em menor grau, a China estão envolvidos numa corrida nuclear.
Hoje, no plenário, o democrata de Delaware e vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Joseph Biden, usou em vão o golpe militar no Paquistão para tentar ganhar adeptos para o tratado. "Este é o mais grave erro que o Congresso já cometeu."
Antes mesmo de ficar claro se haveria ou não a votação, a secretária de Estado, Madeleine Albright, iniciou uma operação preventiva de controle de danos. Em discurso na Universidade de Maine, ela disse que o governo continuará a trabalhar para que os países que já assinaram o tratado o ratifiquem. O Brasil é um dos 48 países que assinaram e ratificaram o tratado. A Inglaterra e a França, dois aliados próximos dos EUA que também aderiram plenamente ao CTBT, disseram hoje que sua rejeição pelo Senado americano representa um perigoso sinal para o resto do mundo e uma demonstração de falta de seriedade de Washington na adoção e execução da política de controle de armas nucleares que recomenda a outros países.





