Senad mandará ao AC força-tarefa federal
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 24 (AE) - A Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) irá enviar ao Acre uma força-tarefa federal para ajudar no combate ao narcotráfico. O convênio entre a Senad e o governo do Acre foi assinado ontem (23), um dia após a cassação do ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), que é acusado de assassinato e envolvimento com tráfico de drogas. Nos próximos cinco dias, representantes da secretaria irão ao Acre para traçar uma plano de ação.
Só depois dessa reunião será definido o efetivo federal a ser usado na força-tarefa. Criada no fim de março, a força-tarefa inclui a cooperação de diferentes órgãos federais: Justiça, Ministério Público (MP), Polícias Rodoviária Federal e Federal (PF), Receita Federal e as Forças Armadas. Para ser acionada, a força-tarefa tem de ser pedida pelo governador Jorge Viana (PT).
Segundo o secretário nacional Antidrogas, Wálter Maierovicht, além do Acre, o Rio também pediu a ajuda de uma força-tarefa para o combate ao narcotráfico no Estado. O convênio foi assinado há duas semanas e, nos próximos dias, o subsecretário de Repressão da Senad, Gilberto Serra, irá ao Rio para discutir o tamanho da força-tarefa e as ações que serão desenvolvidas. Maierovicht adiantou que a função da força-tarefa não é policiar morros, mas que, entre as ações, poderá ser incluída uma operação pente-fino no Aeroporto Internacional do Rio.
"A força-tarefa passará a agir de forma sinérgica: não substitui ações da Polícia Federal e de outras polícias", afirmou o secretário. "Mira-se sempre o problema de segurança das pessoas, a preservação do Estado democrático." Um total de cinco Estados assinou com a Senad o convênio para pedido da força-tarefa. São, além do Acre e do Rio, Amazonas, Rondônia e Roraima.
Para Maierovitch, as cassações dos ex-deputados Jabes Rabelo e, nesta semana, Hildebrando Pascoal (sem partido-AC) garantiram uma evolução do trabalho de combate ao narcotráfico. "Com os episódios Jabes Rabelo e Hildebrando, nós mudamos de degrau", disse, explicando que foi possível sair da discussão de repressão das drogas nas esquinas para a prisão dos responsáveis pelas quadrilhas. "Agora, precisamos mudar para outro degrau, o da cooperação internacional."
O secretário elogiou o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara que resultou na cassação de Pascoal. "Apesar de o relator Moroni Torgan (PFL) ser contra a Senad, sem essa CPI, teríamos dificuldades de chegar a esse estágio", avaliou. "Nenhum órgão teria conseguido chegar a estas informações de forma tão rápida." Para Maierovitch, a comissão poderia ter pedido o apoio da Senad.


