São Paulo, 05 (AE) - O ex-diretor do Banco Central, José Júlio Sena, da MCM Consultores, acredita que a taxa Selic será mantida em 19%, com a permanência do viés neutro, na reunião do Copom de amanhã. Essa avaliação foi reforçada pela decisão, desta tarde, do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc), de manter as taxas de juros inalteradas, em 5,25%, com a adoção de um viés de alta.
"Aumentar os juros agora é tudo o que o Banco Central não quer e que o governo brasileiro não precisa", afirmou Sena, não admitindo nem mesmo alteração no viés. "Num país maduro, como os Estados Unidos, o anúncio de um viés de alta já provoca um estrago danado", disse, referindo-se à queda no índice Dow Jones e em outros mercados. "Para uma economia com um grau de incerteza, como a do Brasil, o único efeito prático de um viés de alta seria espalhar o terror."
De acordo com Sena, não há possibilidade de alteração da taxa Selic por uma série de fatores: o prêmio de risco do País aumentou relativamente a seus concorrentes (Argentina e México), as taxas de juros de longo prazo estão mais altas no momento do que na última reunião do Copom e o nível da taxa de câmbio está mais alto do que o esperado.
"A situação recomenda prudência", disse Sena, que não arriscou uma previsão para o patamar da taxa Selic até o final deste ano. "O grau de incerteza aumentou. É preciso acompanhar a economia passo a passo", ponderou. Segundo ele, só quando solucionar o "dispêndio público" o governo terá um ajuste efetivo e bom para a situação econômica.

mockup