Seminaristas descobrem vocação nos grupos de orações
Londrina - Com apenas 20 anos, o jovem José Vítor Guerra Anizelli fez uma escolha que vai definir toda sua vida. Filho caçula, entre três irmãos, de um vendedor e uma manicure de Londrina, ele decidiu no ano passado seguir a vida religiosa e, no futuro, se transformar em um padre. Aluno do Seminário Propedêutico São José desde o início de 2014, enfrentou uma angústia de cinco anos antes de confirmar a vocação e iniciar os estudos no local. Com uma vida religiosa ativa desde a mais tenra infância, foi no grupo carismático de orações que frequentava que surgiu a vontade de se dedicar ao sacerdócio.
"Num dos encontros, em 2009, recebi uma passagem bíblica que parecia um convite de Jesus para segui-lo", conta o rapaz que, enquanto vivia a dúvida, levava uma vida "normal", com namoro, trabalho e os encontros religiosos. Em 2011, ele garante que confirmou a vocação para ser padre. Mas, logo depois, uma promoção no trabalho o levou a adiar a decisão. "Queria ter certeza e buscava respostas nas pregações que ouvia, que sempre falavam sobre os dilemas que eu passava. Quando entrei no seminário, a angústia passou", conta.
Depois de um ano de estágio vocacional, ele se mudou para o seminário no início de 2014. Os pais apoiaram a decisão, o que não significa que não houve sofrimento. "Eu era o último filho morando em casa", conta ele, que atualmente vê os familiares uma vez por mês, o que considera importante para amadurecer na vida religiosa.
Com uma rotina bastante rígida que inclui estudos e trabalho comunitário, José afirma que está satisfeito. "Gosto de sentir que estou servindo a Deus", diz o jovem seminarista, que planeja um futuro de vida comunitária. "Quero levar a palavra de Deus às pessoas, visitar as casas e ajudar as pastorais", conta.
O seminarista Sidney de Jesus Izzo Júnior, de 31 anos, tinha uma vida estabelecida quando decidiu largar tudo e ir para o seminário. "Tinha 28 anos e trabalhava há uma década em uma imobiliária", conta ele, que assim como o colega José Vítor, viveu uma experiência mística antes de tomar a decisão. Filho de uma auxiliar de serviços gerais e um fotógrafo que faleceu quando ele tinha 11 anos, Júnior tem duas irmãs e frequentava a Renovação Carismática desde os 20 anos. "Tinha uma vida religiosa ativa, mas não pensava em ser padre até receber um chamado", conta ele, que despertou a vocação quando decidiu fazer um ano de adoração à Virgem Maria. "Foi neste ano que decidi seguir minha vocação", conta ele, que sabia que entraria no seminário assim que participou do primeiro encontro vocacional destinado a receber candidatos ao sacerdócio.
Prestes a terminar o segundo ano no Seminário Propedêutico, Júnior é motivado pelo que chama de "intimidade com Deus". "Quero ser um seminarista para estar cada vez mais perto de Jesus, é uma forma de salvação. Hoje sou mais tranquilo, paciente e feliz", acredita. (C.A.)





