Rio, 07 (AE) - Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares
Paulo Nogueira Batista e Aloizio Mercadante juntam-se a outros 18 críticos do neoliberalismo, entre intelectuais e políticos, para debater estratégias para o desenvolvimento no Brasil. Eles participam do seminário "Desenvolvimento: o fato e o mito", de amanhã (08) a sexta-feira, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O momento é oportuno, já que a pasta do Desenvolvimento no governo terá um novo ocupante a partir da semana próxima semana: o empresário Alcides Tápias.
A abertura, às 9h30, ficará a cargo do governador do Rio
Anthony Garotinho (PDT). O evento é coordenado pelos professores José Luís Fiori, José Carvalho de Noronha e Marta Skinner. Segundo uma síntese do pensamento de Fiori, depois de 25 anos de esquecimento, as políticas de desenvolvimento voltam a ter destaque na agenda mundial, inclusive no Brasil e na América Latina, onde o fracasso das políticas monetárias e das reformas neoliberais paralisaram o crescimento econômico, aprofundaram as desigualdades sociais e estão enfraquecendo as instituições políticas.
O professor cita um relatório das Nações Unidas mostrando que, neste último quarto de século, a diferença entre países ricos e em desenvolvimento se acentuou. Em 1965 a renda média per capita dos 20% mais ricos era 30 vezes maior do que a dos 20% mais pobres. Em 1980, a diferença saltou para 60 vezes. A renda per capita da América Latina, que representava 36% da renda dos países ricos em 1979, há quatro anos era de 25%. Esses números teriam provocado um "desencanto com a utopia da globalização".
Fiori explica que pretende aproximar a universidade deste debate. O seminário está sendo promovido pelo Programa Universitário de Estudos Estratégicos da Uerj e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Núcleo Universitário de Estudos Governamentais/Uerj (Nuseg) e Editora Vozes.
As discussões serão divididas em cinco temas: "A competição entre os Estados nacionais pela riqueza mundial", "Estados, sistemas monetários internacionais e ciclos de crescimento", "A experiência comparada de desenvolvimento da América Latina, China e Coréia", "O desenvolvimento depois do neoliberalismo" e "O Brasil frente à nova hegemonia americana".
Na quinta-feira Fiori lança o novo livro organizado por ele, "Estados e moedas, no desenvolvimento das nações", reunindo trabalhos de vários conferencistas. A proposta do livro é retomar o debate interrompido sobre o desenvolvimento econômico global e a distribuição desigual da riqueza, e continuar a pesquisa sobre transformações contemporâneas do capitalismo, iniciada com a publicação de "Poder e dinheiro", em 1997.
Todos os artigos são uma resposta à questão do futuro do desenvolvimento na periferia capitalista depois da polarização da riqueza mundial. Os autores analisam, entre outros assuntos, a rápida industrialização dos Estados Unidos, Alemanha, Japão e Rússia no século passado, o "milagre econômico" da Alemanha e do Japão, após a Segunda Guerra Mundial, e, mais tarde, do Brasil, Coréia e China e a natureza do "capitalismo tardio" brasileiro.

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