Curitiba - Representantes de instituições públicas e de organizações não governamentais participaram do Seminário Estadual Criança não é de Rua, realizado em Curitiba, colocando em debate a eficácia das políticas públicas existentes destinadas às crianças que vivem nas ruas. O evento é uma iniciativa do movimento ''Criança não é de Rua'', que surgiu em Forlaleza (CE) e percorre o País com a Campanha Nacional de Enfrentamento à Situação de Moradia nas Ruas de Crianças e Adolescentes''.
Segundo um dos articuladores nacionais do movimento, Adriano Ribeiro, nos próximos meses serão realizados seminários em todas as capitais e em 2008 haverá um evento nacional, que reunirá as experiências em um programa a ser entregue ao Governo Federal e Congresso Nacional. O encontro nacional deve acontecer em 23 de julho de 2008, dia marcado pela chacina da Candelária.
''Parece um grande desafio, mas é porque as pessoas pensam que há milhares de crianças abandonadas pelas ruas'', diz Ribeiro, lembrando que a maioria das crianças e adolescentes que andam pelas ruas têm casa, para onde vão todas as noites. O alvo da campanha é buscar soluções para aquelas que saíram de suas casas e não têm mais onde morar.
Em todo Brasil, estima-se que 10 a 15 mil crianças moram nas ruas. Em Curitiba, segundo a Fundação de Assistência Social (FAS), cerca de 90 crianças e adolescentes moram nas ruas. Pesquisa feita em 2004 na Região Metropolitana de Curitiba, ouvindo 415 crianças e adolescentes em situação de risco, mostrou que a maioria sai de casa para fugir da violência no lar ou para sobreviver, caindo na esmolagem.
Conforme a pesquisa, apresentada ontem pelo tenente coronel Roberson Luiz Bondaruk, comandante do Policiamento da Capital, 28% afirmaram sair de casa por causa de brigas ou porque apanhavam; 13% porque precisavam de dinheiro e outros 18% afirmaram que saíram pela liberdade que têm nas ruas.
Para Ribeiro, o primeiro desafio do movimento é fazer um levantamento nacional que estabeleça o número de crianças que moram nas ruas. Só daí será possível definir as políticas públicas necessárias. Para ele, é preciso priorizar o incentivo aos educadores sociais que trabalham nas ruas e o atendimento às famílias, para que tenham condições de manter seus filhos em casa.
''Isso é possível'', diz, explicando que uma das saídas é construir alianças que envolvam entidades e órgãos públicos e privados. A outra depende basicamente do Governo, que deve oferecer estrutura para que as famílias dêem condições básicas às crianças, como saúde e educação, evitando que saiam de casa.

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