Seminário para julgar dívida externa acaba em pancadaria no Rio
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Roberta Jansen e Clarissa Thomé 
Rio, 28 (AE) - Pelo menos nove pessoas ficaram feridas durante a invasão, no início da noite de hoje, do saguão do Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes, centro do Rio, por homens da Guarda Municipal. No local, seria realizado o Tribunal da Dívida Externa, um seminário organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os guardas deram golpes de cassetete em dezenas de participantes do encontro que estavam na porta do teatro. A confusão começou porque eles tentaram evitar a apreensão de mercadorias de três vendedores ambulantes, por guardas municipais. Cadeiras e mesas foram lançadas. Após o tumulto, policiais militares levaram o subinspetor Thiago, comandante da operação, para a 5ª Delegacia de Polícia (DP). Outras duas pessoas foram detidas.
Parte dos participantes do seminário estava no saguão do teatro aguardando a chegada do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que participaria do encerramento do evento. Um homem tentou evitar a operação de repressão aos três ambulantes, que vendiam pipocas e bebidas, e foi levado, sob cacetadas, para dentro do teatro. A partir daí, um grupo de participantes partiu para cima dos guardas, que teriam revidado com violência.
O deputado estadual Chico Alencar (PT) chegava ao teatro no momento da confusão e foi agredido por policiais. "Invadiram o teatro de forma fascista e estúpida", afirmou. "Essa Guarda Municipal é despreparada, truculenta e deve ser extinta pelo prefeito." Alencar sofreu uma luxação no braço.
Com a cabeça e o rosto sangrando, o manifestante Sérgio Pimentel, que recolhia assinaturas para um manifesto na porta do teatro, foi atendido no posto médico instalado no teatro. "Fomos lá fora apenas para pedir que não levassem as mercadorias dos vendedores", alegou. Lula e Brizola chegaram ao teatro por volta de 19h30.
Os ferido foram levados para o Hospital Souza Aguiar, no centro. O fotógrafo Sidney Santos, contratado para registrar o evento, sofreu escoriações nas costas. O representante do MST no Pará, Samuel Bastos, levou cacetadas na cabeça. Outro ferido é Dalmir de Sá, que sofreu escoriações.
O guarda Municipal Luciano dos Santos pode ter quebrado a costela. Ele teria sido cercado por manifestantes e levado cadeiradas. O camelô Luciano Correa Chaves levou chutes nas costas e nas pernas. O guarda Iran Jucá sofreu um corte supercílio e outro, que não quis se identificar, afirma que assistia aos evento à paisana, quando teria sido agredido por outros guardas. "Eles não podiam ter feito isso, que é crime de lesão corporal". Todos os feridos deveriam passar por exames de corpo de delito.


