Será realizado na USP, em São Paulo, nos dias 6, 7 e 8 de novembro, o Seminário Internacional Violência e Criança que reunirá especialistas da Universidade de Tel Aviv, da Universidade do Texas e da Universidade de São Paulo, além de outras importantes instituições brasileiras, mobilizando formadores de opinião e convocando a sociedade para ampla discussão.
Mais de 20 especialistas apresentarão pesquisas e resultados; mediarão debates, participarão de mesas-redondas e ouvirão relatos (ao vivo) de crianças vítimas de diferentes tipos de violência. ‘‘A idéia é atrair o olhar da sociedade, para que possamos discutir um tema que, definitivamente, pertence a todos e é tão caro a populações de centenas de países’’, afirma o Prof. Dr. Robert Roberts, da Universidade do Texas, que participará do Seminário.
Ser inacabadoDiferentes áreas das ciências humanas, como Sociologia, Direito, Política e Psicologia, estarão reunidas no seminário Violência e Criança, apresentando reflexões, apontando caminhos e soluções para questões como a situação da Febem; as condições de trabalho do adolescente; o trabalho infantil e a violência doméstica.
‘‘É incrível pensar que ainda se utiliza violência física para educar crianças. Parece que voltamos ao século 18, quando a criança era considerada um ser inacabado, que precisava ser moldado, a qualquer preço, por prêmios e castigos’’, afirma a Profa. Dra. Márcia Faria Westphal, vice-diretora da Faculdade de Saúde Pública da USP, uma das coordenadoras do Seminário.
Em pleno Ano Internacional da Cultura da Paz, decretado pela UNESCO (órgão das Nações Unidas para a criança e a adolescência), ‘‘Violência e Criança’’ buscará resultados para a promoção efetiva da ‘‘saúde social’’. Durante os três dias de evento serão debatidas as diversas formas de violência contra a criança e o adolescente, do aspecto mais sutil ao mais cruel. ‘‘No Brasil, por exemplo, podemos distinguir uma violência estrutural, cujas expressões mais fortes são o trabalho infantil e a criança de rua’’, afirma a Profa. Dra. Maria Cecília Minayo, da Faculdade de Saúde Pública do Rio de Janeiro, participante do evento.
Por outro lado, segundo o professor de Direitos Humanos da Faculdade de Direito da PUC de São Paulo e juiz do 1º Tribunal de Alçada, Antônio Carlos Malheiros – que também participará do evento –, a violência doméstica contra a criança no Brasil está, ao contrário do que se imagina, presente em todas as camadas sociais. Do ponto de vista jurídico, o Prof. Dr. Dan Shnit, da Universidade de Tel Aviv, que discutirá aspectos legais relativos ao tema, afirma que a proteção deve ser assegurada por órgãos legislativos, administrativos e educacionais.
Traumas de guerraJá em países como Israel, onde a legislação proíbe a violência como instrumento educativo, a exemplo da Finlândia e da Suécia, o aspecto relevante da questão é ligado aos traumas decorrentes da guerra. ‘‘As vozes das crianças traumatizadas pela violência raramente são ouvidas e, portanto, o objetivo de um encontro como esses deve ser dar som a essas vozes’’, diz a Profa. Dra. Zahava Solomon, da Universidade de Tel Aviv, que virá ao Brasil especialmente para o ‘‘Violência e Criança’’, quando apresentará a palestra ‘‘Crescendo em Ambientes Violentos: Vulnerabilidade e Resistência’’.
A organização do Seminário Internacional Violência e Criança envolve, além do meio acadêmico, a iniciativa privada através da Sociedade de Amigos de São Paulo, presidida pelo empresário Mário Adler, ex-presidente da Estrela Brinquedos. A entidade reúne um grupo de empresários e representa a Universidade Tel Aviv.
A parceria fechada com as universidades de São Paulo e do Texas, para a realização do Seminário, faz parte de um programa gerenciado, no Brasil, pela Sociedade de Amigos de São Paulo, da Universidade Tel Aviv, que tem colocado seu ‘‘know-how’’ à disposição de outras instituições, e já vem promovendo diversos convênios e parcerias, de forma aberta e flexível, com universidades brasileiras, para intercâmbio de informações e troca de experiências nas diversas áreas do conhecimento humano. O evento conta, ainda, com o patrocínio do Grupo Safra, através do Safra Projeto Cultural.
Segundo o empresário Mário Adler, coordenador do evento ao lado da Profa. Dra. Márcia Faria Westphal, vice-diretora da Faculdade de Saúde Pública da USP, ‘‘um dos objetivo desse tipo de ação conjunta de vários segmentos da sociedade e principalmente da comunidade acadêmica, é mostrar o engajamento da iniciativa privada na busca de soluções dos problemas sociais que ameaçam a sociedade brasileira’’.
Informações e inscrições gratuitas ao Seminário podem ser feitas pelos telefones: 3037.7143 ou pelo e-mail: [email protected].

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