Curitiba - Os grupos ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST) no Paraná estão otimistas com as mudanças dos governos estadual e federal no ano que vem, mesmo com a afirmação de lideranças nacionais que as invasões de terra vão continuar durante o mandato do próximo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O futuro do MST durante o governo Lula e o de Roberto Requião (PMDB) é tema de um ciclo de debates, que começou ontem, em Curitiba, e vai até sábado.
  Ontem, o líder nacional do MST, João Pedro Stédile, iria abrir o seminário com o tema ‘‘Trabalho, Terra, Cidadania e Soberania no Governo Lula - até Onde Podemos Avançar?’’. Hoje à noite, será discutido a situação dos sem-terra e da reforma agrária no Paraná. O seminário é promovido pelo Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria), uma entidade de apoio à educação popular.
  Os problemas e desafios na questão agrária paranaense serão analisados com a ajuda do Centro de Pesquisa e Apoio ao Trabalhador (Cpat). ‘‘O governo federal eleito, assim como o do Paraná, são mais voltados para essas questões’’, avaliou o coordenador estadual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dionísio Vandresen. Segundo ele, a mudança no Congresso Federal também vai influenciar as novas políticas agrárias. ‘‘A bancada ruralista é muito forte, impedindo avanços agrários, mas isso vai mudar em janeiro’’, acrescentou.
  Vandresen disse que nos últimos anos não houve avanço nas questões agrárias no Paraná. ‘‘Os anos de 1999, 2000 e 2001 foram de muita violência no Paraná. A partir de então, foi criada aqui a Ouvidora Agrária, órgão federal, que ajudou a colocar um fim em parte dos conflitos, mas que não significou avanço na questão da terra’’, relatou.
  Na segunda-feira, a liderança nacional do MST se reuniu com José Dirceu, possível ministro de Lula, e José Genoíno, atual presidente nacional do PT. O movimento quer que a reforma agrária ocorra com a participação popular. Vandresen concorda. ‘‘Esperamos pôr um fim na reforma de mercado, na qual o governo tem que pagar a terra
  O ciclo de debates acontece a partir das 19 horas, hoje e amanhã, nos anfiteatros da Universidade Federal do Paraná (UFPR). No sábado, o Cefuria realiza assembléia para definir rumos da entidade no ano que vem, com base nos seminários.

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