São Paulo, 22 (AE) - O desenvolvimento de políticas urbanas que priorizem a qualidade de vida do cidadão foi o tema central do seminário São Paulo Megacidade, hoje, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP). O evento faz parte do projeto que apresentará propostas urbanas para um conglomerado de 17 milhões de habitantes, que reúne São Paulo e cidades vizinhas.
O projeto São Paulo Megacidade envolve 11 faculdades de arquitetura da capital e região metropolitana. O resultado do estudo, coordenado pelo professor da FAU Bruno Padovano, será apresentado no seminário internacional sobre megacidades, em fevereiro, em Hong Kong. Além de São Paulo, o seminário discutirá Hong Kong, Tóquio, no Japão, e Xangai, na China.
Para facilitar o trabalho, São Paulo foi dividida em setores. Os alunos da FAU estão trabalhando sobre a região que vai da zona oeste da capital até Sorocaba. A proposta tem como eixo principal o desenvolvimento de uma malha de transporte eficiente, que inclui as rodovias rumo ao oeste do Estado e a construção de um metrô de superfície. Ao longo da malha rodoviária e ferroviária, seriam desenvolvidos núcleos habitacionais projetados em harmonia com o meio ambiente. "O projeto habitacional evita altas densidades urbanas e atende todas as classes sociais", justifica a estudante Eleonora Zioni.
Os alunos da FAU ressaltam a importância da diversidade social nos projetos habitacionais e o respeito ao meio ambiente. É possível, por exemplo, atenuar o déficit habitacional com programas do governo voltados para as classes mais baixas e unidades pequenas dirigidas à classe média. "A criação de núcleos que permitam a ocupação gradual da região que vai até Sorocaba impede o crescimento desorganizado das cidades" argumenta a estudante Cassiane Rodrigues Nascimento.
Centro - A recuperação de áreas mais centrais da cidade é o tema trabalhado pela Fundação Armando álvares Penteado (Faap), que prevê nova ocupação de bairros antigos, como a Barra Funda. "O adensamento da Barra Funda abre a possibilidade da população usar equipamentos que já existem, como o Parque da água Branca e o Memorial da América Latina", explica o chefe do departamento de projeto da Faculdade de Arquitetura da Faap, José Guilherme Savoy. Também está sendo estudada a integração de áreas atualmente separadas pela ferrovia. "Em alguns pontos a ferrovia poderia ser rebaixada", diz Savoy.
O desenvolvimento da região leste da capital e municípios vizinhos é o tema da Universidade Braz Cubas. A idéia é integrar a região de Mogi das Cruzes e Suzano com o leito do Rio Tietê. "A Serra do Itapeti e o leito do rio, que nesse trecho não foi retificado, podem ser aproveitados sob o ponto de vista turístico", diz o professor Euler Sandeville, que prevê a recuperação ambiental de toda a área.

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