Seminário discute doenças emergentes e reemergentes
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quarta-feira, 16 de outubro de 2002
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Doenças como cólera, febre amarela, dengue, febre hemorrágica e leptospirose que há anos não vinham atingindo áreas urbanas mais desenvolvidas e com melhor infra-estrutura de saneamento voltam a preocupar os profissionais de saúde. O que mais chama a atenção é que, apesar dos avanços tecnológicos na área de médica, a causa da maioria dessas doenças continua sendo a falta de saneamento básico e de acesso da população à água tratada e ausência de um serviço de saúde público eficaz.
As causas do reaparecimento dessas doenças são as mais diversas. De acordo com Marlo Libel, assessor Regional de Doenças Transmissíveis da Organização Pan-Americana de Saúde (Ops) em Washington, nos Estados Unidos, algumas, como a dengue hemorrágica, são explicadas pela banalização do uso de antibióticos, que levou à maior resistência de bactérias e vírus. Outras são causadas pela mudança de habitat das pessoas, aproximando-se dos focos de doença. É o caso do hantavírus, transmitido pelo rato e disseminado a partir da maior proximidade do homem com o rato.
Para discutir ações que inibam a disseminação dessas doenças, bem como a incidência de novas enfermidades, cerca de 220 profissionais de saúde de todo o Estado participam em Curitiba do Seminário de Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes, organizado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Secretaria Estadual de Saúde.
A malária, por exemplo, é um problema sério no Paraguai e com o vaivém de pessoas pela fronteira é preciso cuidar. Outros risco que não podemos correr é voltar a ter casos de febre amarela, que existe em outros estados'', diz a coordenadora do evento pela Funasa, Ângela Maron de Mello.
Libel reconhece, no entanto, que o Brasil está perdendo a guerra contra a dengue. ''É só ver a situação no Rio de Janeiro.'' No Paraná, no ano passado foram registrados três casos de dengue hemorrágica com uma morte.
Já entre as novas enfermidades, a aids continua sendo a doença que mais preocupa os profissionais de saúde. Apesar dos avanços no tratamento, a doença continua sendo ''um problema social grave'', segundo Liebel, pois os países menos desenvolvidos não têm recursos para atender a seus doentes. O único remédio, para esses casos, continua sendo a prevenção, ''mais barata e viável''.


