Seminário debate o futuro das megacidades
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 21 (AE) - Cerca de 200 estudantes e professores de Arquitetura enfrentam um desafio: estudar e propor alternativas para evitar o caos urbano em um conglomerado de 17 milhões de habitantes, que inclui a capital. Os primeiros resultados desse estudo poderão ser conferidos amanhã (22) no seminário São Paulo Megacidade, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU).
O projeto SãoPaulo Megacidade, que deve ser concluído até o fim de setembro, será um dos temas do grande seminário internacional sobre megacidades em Hong Kong, na China, em fevereiro do ano 2000. Para o encontro de amanhã foram convidados urbanistas para debater o tema das megacidades, como Regina Meyer, Cândido Malta e o chefe do Departamento de Operações Urbanas da Empresa Municipal de Urbanização, José Eduardo de Assis Lefévre.
"Será um encontro para avaliarmos os primeiros resultados desse trabalho", explica o arquiteto Bruno Padovano, professor da FAU. Padovano é o coordenador-geral do projeto, que envolve dez faculdades de arquitetura. Cada uma trabalha uma parte da megacidade, que envolve a Grande São Paulo e regiões vizinhas, como Sorocaba. "A idéia é reunirmos as propostas e representar a cidade no seminário em Hong Kong", explica o professor.
O seminário, que será patrocinado pela Universidade de Hong Kong, discutirá aspectos urbanísticos de quatro megacidades: Hong Kong e Xangai, na China, Tóquio, no Japão, e São Paulo. Convite - O convite para representar São Paulo, diz Padovano, surgiu no ano passado, após uma palestra em Hong Kong. De volta ao Brasil , ele resolveu convidar outras universidades para participar do projeto. "Como a proposta é grande e complexa, resolvi dividir com outros colegas", explica. A megacidade de São Paulo foi dividida em grandes eixos de estudo.
"Procuramos dividir de acordo com a localização de cada faculdade", diz o coordenador. A FAU, por exemplo, estuda o desenvolvimento urbano em novas áreas da região oeste da capital e Grande São Paulo. A finalidade do estudo será apresentar alternativas para o desenvolvimento de uma "ecometrópole" de seis milhões de habitantes e que abrangerá desde a zona oeste da capital até Sorocaba.
"Vamos propor uma urbanização sensível ao ecossistema dessa região", explica Padovano. A área estudada abrange inúmeros condomínios residenciais e duas cidades importantes do Estado. "A urbanização deve respeitar os rios e a área verde", exemplifica o professor. Outro grupo, formado por três faculdades, estudará o remanejamento urbano na área central da cidade. No caso, serão trabalhados temas como a requalificação do centro e a reocupação de antigas áreas industriais de São Paulo no início do século.
A intenção é que todo o estudo esteja pronto até agosto. Em novembro, o trabalho será exposto na 4.ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. "Também queremos elaborar uma publicação sobre o tema", explica o arquiteto. O resultado final das equipes que estão trabalhando sobre o tema serão reunidos em várias propostas para o reordenamento da megacidade de São Paulo e um alerta para evitar o desenvolvimento desordenado de novas regiões em torno da capital. "Queremos apresentar ao poder público algumas inovações que poderão ser utilizadas daqui para frente", acredita Padovano. "Os temas serão sugestões de ações prioritárias para evitar o caos urbano", completa. Megalópole - No próximo ano, o grupo levará para Hong Kong temas relativos à megacidade brasileira. Segundo Padovano, podemos definir a megacidade como uma metrópole com mais de 10 milhões de habitantes e com um complexo sistema econômico e social. "No caso de São Paulo, por exemplo, a megacidade vai até Sorocaba", diz. A megacidade é uma parte da conurbação urbana que formará a megalópole. No caso brasileiro, a futura megalópole deve ser formada pelo eixo Rio-São Paulo. Serviço - Seminário São Paulo Megacidade - Amanhã (22), a partir das 9 horas, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Rua do Lago, 876, Cidade Universitária. Informações pelo telefone 818-4801. Entrada franca.


