São Paulo, 20 (AE) - Os especialistas em urbanismo e em economia divergiram sobre o efeito dos problemas urbanos na "concorrência" entre a cidade de São Paulo e outras metrópoles mundiais, no primeiro dia do debate sobre as cidades mundiais e o impacto dos megaprojetos na estrutura urbana, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP). Os debatedores que analisaram os temas sobre a ótica econômica acreditam que esses problemas - trânsito e violência - não serão fatores de diferenciação entre as grandes cidades do mundo. Já os urbanistas apostam que serão decisivos para determinar investimentos internacionais, por exemplo.
O economista e professor do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP) Gilberto Dupas acredita que os problemas urbanos enfrentados nas grandes cidades não serão fatores de diferenciação. "A violência e o trânsito, por exemplo, serão características das cidades que se enquadrarem nessa definição, portanto não creio que serão fatores de diferenciação", explicou Dupas. Além disso, ele acredita que nos próximos anos deve ocorrer um aumento expressivo de pessoas que estarão conectadas a redes de comunicação. Com isso, poderá ocorrer uma redução dos deslocamentos nos grandes centros urbanos. "Os equipamentos públicos, como as vias públicas, poderão até ser menos utilizadas", afirmou.
Dupas disse, ainda, que a tendência é de que a exclusão social aumente nos próximos anos. Segundo ele, a modernização imposta pelo capitalismo global está fazendo com que as empresas necessitem de um número cada vez menor de empregos formais por dólar investido. Dessa forma, o contingente de desempregados tende a aumentar nos grandes centros urbanos mundiais. A tendência é que esse efeito seja reduzido pelas atividades esporádicas e informais, mas não a ponto de diminuir o impacto. Obstáculos - A professora Regina Meyer, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP)
tem uma visão diferente da de Dupas. Ela acredita que a violência urbana será um fator decisivo na concorrência entre as várias cidades mundiais. "Se a Cidade do México tiver um índice menor do que São Paulo, acredito que a chance de os mexicanos receberem investimentos estrangeiros será maior".
De acordo com Regina, das 20 maiores cidades do mundo até o ano 2002, 18 estarão em países pobres. Das 18, duas estarão no Brasil - São Paulo e Rio de Janeiro. O desafio, segundo a urbanista, será encontrar mecanismos para lidar e tentar reduzir os fatores negativos existentes na grandes cidades. "O desafio é distribuir da melhor maneira possível os benefícios da urbanização", disse. De acordo com Regina, um dos mecanismos para promover essa distribuição é o transporte público. À medida que esse serviço é colocado à disposição dos moradores de diversas regiões da cidade e tem o funcionamento razoável passa a permitir acesso a tudo que a cidade oferece aos seus habitantes. Megaprojetos - Nos debates também foi incluída a discussão sobre o impacto dos megaempreendimentos, justamente no momento que o Grupo Brasilinvest promete construir o maior prédio do mundo na região central de São Paulo. A urbanista Regina disse ser contra o projeto, que prevê a construção de uma torre com 510 metros de altura e 108 andares em área de 1 milhão de metros. "O local escolhido vai impedir que desenhemos o futuro da cidade", justificou Regina.
O presidente da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb)
Emílio Azzi, disse não conhecer os detalhes do projeto. Ele admitiu, entretanto, que um projeto dessa proporção, se não for bem concebido, poderá provocar vários problemas na cidade. "Um projeto dessa envergadura tanto poderá ajudar na recuperação da região central como agravar problemas já existentes", afirmou o presidente da Emurb.

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