O Seminário Estadual ''Matriz Energética e Privatização da Água: Interesse de Quem?'' discute hoje e amanhã o tema no Anfiteatro Maior do Centro de Ciências Humanas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) será o pontapé inicial da 16 Romaria da Terra, que será realizado domingo em São Jerônimo da Serra e Jataizinho (Norte do Estado).

O evento é promovido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), com participação do Movimento Nacional dos Atingidos por Barragens, a Associação Projeto Educação do Assalariado Rural Temporário (Apeart) e pela Comissão dos Ameaçados por Barragens do Rio Tibagi, que integram uma espécie de frente contra a implantação de um complexo de hidrelétricas projetado pela Copel para a Bacia do Tibagi.

De acordo com os organizadores, o objetivo do seminário é refletir e aprofundar o debate sobre a matriz energética brasileira e os interesses em jogo na privatização e no controle de água. Os debates ocorrem a partir das 19h30 e contará com a presença de João Walter Bautista Vidal, idealizador do Proalcool e um dos maiores especialistas brasileiros em fontes de energia.

Vidal é um dos maiores críticos do modelo energético adotado pelo Brasil, especialmente a dependência exagerada da energia hidrelétrica, considerada por ele de grande impacto ambiental e social.

A Romaria da Terra é a principal manifestação ecumênica contra o modelo agrário do Estado. Na 16 edição, os organizadores decidiram levar cerca de 30 mil pessoas até a região de São Jerônimo da Serra, epicentro da polêmica sobre o aproveitamento hidrelétrico do Rio Tibagi, que alagaria terras indígenas agricultáveis e as áreas de caça e coleta das reservas.

Na manhã de domingo, ocorre a primeira concentração em uma área do centro da cidade que um dia abrigou um cemitério indígena. De lá, os manifestantes saem em caravanas vindas de todo o Estado até as margens do Tibagi, em Jataizinho.

Cerca de 200 pessoas estão sendo preparadas para serem voluntárias no esquema de organização, que ficará a cargo da diocese de Cornélio Procópio e dos membros da CPT estadual. Outras 600 pessoas se revezarão na condução do ato. O evento deve ser encerrado no final da tarde com a partipação de 17 embarcações cada uma representando uma diocese do Estado que ficarão próximas ao ponto de concentração à margem do rio.

Existe a possibilidade da romaria passar pela ponte e bloquear temporariamente o tráfego. Segundo os organizadores, a Polícia Militar, a Polícia Rodoviária e a Econorte (concessionária do Lote 2 do Anel de Integração) já foram comunicadas que haverá o protesto e não fizeram objeção.

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