Rebeliões de presos marcaram o início da semana em quatro grandes municípios brasileiros - Vila Velha (ES), Campo Grande (MS), Mogi das Cruzes (SP) e São Vicente (SP). Em todos esses locais, a situação comum é a superlotação das cadeias. O preso Romildo Doqueiro foi jogado ontem à tarde do terceiro andar da Casa de Detenção da Glória, em Vila Velha (ES), pelos líderes da rebelião iniciada sexta-feira no presídio, onde seis funcionários são mantidos como reféns. Doqueiro caiu no pátio interno da penitenciária e sofreu várias escoriações.
Presos da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, que se rebelaram no final da tarde de domingo, continuam se recusando a retornar às celas. Segundo o carcereiro Alan Ladd Dias Galvão, cerca de 320 dos 384 presos estão amotinados. A reivindicação deles é de que 15 presos sejam transferidos. Este grupo de presos teria direito a cumprir pena em regime semi-aberto, o que não é possível na cadeia de Mogi das Cruzes.
Duzentos e noventa presos do Instituto Penal de Campo Grande (MS), se rebelaram ontem, queimaram colchões e destruíram a parte administrativa do presídio. A rebelião durou nove horas. Terminou após ser anunciada a destituição do diretor do presídio, Acir Rodrigues, e a do diretor do presídio de segurança máxima, Jair de Carvalho. O presídio tem capacidade para 216 detentos. Os presos estão armados com facas, estiletes e três revólveres calibre 38 que estavam no cofre da administração. Não há reféns nem notícia de feridos.
A rebelião começou às 9h, logo após uma reunião entre representantes dos presos, do governo do Estado e do Judiciário, que discutiram o retorno ao trabalho dos agentes carcerários, cuja greve de 65 dias terminou ontem.
A rebelião na Casa de Detenção de São Vicente (SP) encerrou-se às 16h55 de ontem após a saída de 70 parentes de presos que estavam no presídio desde o dia anterior e a libertação dos cinco agentes penitenciários tomados como reféns. A Casa de Detenção de São Vicente tem 500 vagas, mas abriga 757 presos. A rebelião durou 26 horas. Começou na tarde de domingo, durante o horário de visita aos presos. Os 442 visitantes ficaram retidos depois de iniciada a rebelião. Destes, 184 saíram domingo e 258 ontem.
A principal reivindicação dos detentos seria o fim das torturas e maus-tratos, supostamente cometidos por funcionários da casa de detenção. Os rebelados pediram o afastamento de oito agentes penitenciários. O coordenador da Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários de São Paulo, Lourival Gomes, disse que o acordo que conduziu ao fim da rebelião prevê o remanejamento desses oito agentes para outros setores dentro da própria unidade. Ele afirmou que as denúncias de tortura feitas pelos amotinados serão apuradas.
Em Vila Velha (ES), o secretário estadual de Justiça, Perly Cipriano, que lidera a negociação com os 135 presos da Casa de Detenção, levou mais de duas horas para convencer os líderes da rebelião a autorizar a retirada do preso Romildo Doqueiro, jogado do 3º andar, por bombeiros que o levaram a um hospital do município, localizado na região metropolitana da Grande Vitória. Depois de ser jogado, Doqueiro ainda foi ameaçado de ser baleado pelos líderes da rebelião.
segundo o coronel Ronaldo Machado, da Casa Militar do governo, os presos tentaram matar o colega para mostrar que não estão satisfeitos com a demora do governo em atender suas reivindicações. ‘‘Ele foi escolhido como exemplo porque tinha estuprado uma menina de 6 anos’’. Até o fim da tarde de ontem, não havia sinais de que a rebelião teria fim. Segundo o secretário de Justiça, a dificuldade é atender às exigências de seis presos, líderes da rebelião, condenados a mais de 100 anos de prisão. Eles querem armas, munição, coletes à prova de balas e carros para fugir.
Ontem, voltou a ser fornecida comida para os presos e os reféns, que não tinham alimento desde a tarde de sábado. Mais de 100 policiais cercam a Casa de Detenção, mas a ordem do governador Vitor Buaiz é não invadir a penitenciária.
Os reféns mantidos pelos detentos são o diretor do anexo onde estão os rebelados, José Luiz Dantas, o diretor-adjunto, Valdomiro Pereira Filho, a agente de Polícia Neuza Maia, o chefe de segurança Gilmar José Maria, o agente penitenciário Fábio Renato Bissoli e a auxiliar administrativa Sandra Lúcia Sartório Fraga. A rebelião é liderada por Lutemberg Jesus de Oliveira, o Bequinho, preso há um mês, após tentar assaltar um banco.

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