A Feira da Oportunidade, realizada aos domingos no Terminal Rodoviário de Londrina (TRL), faz jus ao nome que carrega. É oportuna para quem quer divulgar sua habilidade e seu produto, e também para o mais incauto viajante conhecer iniciativas curiosas. Como o ''semáforo boêmio'', um projeto dos alunos de Eletrônica do Instituto Politécnico de Londrina (Ipolon) que tem potencial para sair da maquete e virar realidade em cidades brasileiras.
O nome sugere a boemia, mas de beberrão e seresteiro esse inovador sistema nada tem. Em torno de um pequeno cruzamento de trânsito, montado sobre um tabuleiro, Thiago Evaristo Gambaro, coordenador do projeto, mostra o que sua engenharia é capaz de fazer quando o trânsito das principais avenidas está morto. Após a meia-noite, e com a luz amarela piscando de forma intermitente, sensores revezam-se na varredura do movimento de cada pista.
Mesmo se dois veículos chegarem ao mesmo tempo ao cruzamento, só um terá a preferência no semáforo boêmio. ''O mecanismo sempre dará passagem para um, e fechará o farol para o outro veículo'', explicava Thiago ao vários curiosos atraídos pela visão da maquete. Foram muitos os sinais de aprovação e os cumprimentos pelo semáforo. ''Em São Paulo, ia ser uma ótima, ninguém seria assaltada em uma esquina, nem se arriscaria a tomar multa por furar o sinal vermelho'', lembrou mais de um visitante. E por que não seria uma ótima em Londrina? Thiago disse que já está agendando uma visita à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). E espera que a exposição proporcionada pela feira faça com que o projeto interesse também outras cidades.
Tehilah e Mevin Ben Naftali também eram expositores da Feira da Oportunidade. E com produção bem diferente. Suas velas de cera de mel-de-abelha também despertaram interesse. Do atelier mantido na estrada para Água do Limoeiro (zona leste), saem diversos modelos de velas. Trazem a cor típica do mel, com fragrâncias naturais e a decoração de pétalas. ''São mais leves, e não formam a borra tão incômoda das velas de parafina'', explicou Tehila.
A oportunidade que surge na feira pode ser também a de conhecer belas histórias. Como a aposentado Diego Única Alcalá, 74 anos. Espanhol, Única vive há 50 anos em Londrina, onde aposentou-se como mecânico. Mas não gostava nada da ociosidade de aposentado. Interessou-se então pelo trabalho artesanal realizado com pequenos pedacinhos de madeira, conhecido como marcheteria espanhola. O artesanato tem origem árabe, mas é bastante difundido em sua Espanha natal. E o resultado estava lá, em exposição: tampos de mesas, caixinhas, porta-retratos feitos com os interessantes mosaicos de madeira colorida. ''Às vezes entro na oficina de manhazinha e só deixo o trabalho às 21 horas'', disse o aposentado que, para espantar o tédio, virou artesão.

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