A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) determinou ontem a suspensão do procedimento de licenciamento do Lago Norte. A determinação partiu do secretário Luiz Eduardo Cheida na manhã de ontem e foi motivada pelo procedimento administrativo instaurado pela Promotoria de Defesa do Meio Ambiente que apura os riscos de contaminação do complexo do Conjunto Violim, cujo primeiro lago está em construção. A decisão causou surpresa pois a licença ambiental para construção do lago 2 foi concluída pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e seria entregue na semana que vem.
Laudos realizados pela pelo Departamento de Microbiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a pedido da Federação das Associações de Moradores e Demais Entidades Civis e Organizadas (Famecol), demonstram níveis elevados de poluição no lago 1, no Córrego Cabrinha. O Ministério Público teme que o problema possa ser transferido para o o outro lago.
Segundo Cheida, a suspensão tem caráter esclarecedor. ''Como há uma série de denúncias não dá para fazer agora, precisamos verificar'', comentou. O secretário também determinou ao chefe regional do IAP, Ney Paulo, que se encontre com a promotora Solange Vicentin na segunda-feira. Questionado sobre o fato do licenciamento já ter sido concluído e a obra aprovada sem maiores problemas pelo IAP, Cheida afirmou que vai apurar se houve falha no órgão.
O chefe do IAP minimizou o aparente descompasso entre a aprovação do órgão e as denúncias, afirmando que a poluição é apenas uma hipótese. ''O lago é ornamental e não de balneabilidade, sabíamos dessa possibilidade mas pedimos várias condicionantes para evitar isso'', esclareceu.
O prefeito Nedson Micheleti (PT) também evitou polêmicas. Por meio de sua assessoria afirmou que o problema será resolvido. ''Nosso plano foi muito bem feito e só esperamos a liberação do IAP'', disse.
O secretário de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas voltou a afirmar que o problema de poluição no lago 1 está sendo monitorado. Segundo ele, entretanto, não há possibilidade de a poluição atingir todo o complexo porque o lago 2 receberá águas do Ribeirão Lindóia. ''As águas do Cabrinha deságuam no Lindóia depois da barragem'', afirmou. A possibilidade de o complexo já nascer poluído foi alvo de questionamento da imprensa por causa da poluição do Ribeirão Lindóia.
Freitas acredita que a suspensão não vai atrapalhar o cronograma da obra. ''É uma questão de esclarecer mesmo porque o processo de licitação da obra já está em andamento'', disse. O complexo vai ocupar 174 mil m2 de área com dois lagos de 3,5 mil m2 e 7,5 mil m2. O investimento previsto é de R$ 1,5 milhão.

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