Londrina – Uma força-tarefa foi feita ontem para retirar a colmeia de abelhas africanizadas que atacaram e mataram um homem quarta-feira no fundo de vale do Ribeirão Quati, zona norte de Londrina. Mais de dez pessoas trabalharam no manejo do enxame.
Os trabalhos foram coordenados por três biólogos, um convidado pela Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). João Zequi é professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutor em entomologia, estudo dos insetos. Também participaram da ação bombeiros, guardas municipais e agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). A imprensa acompanhou o manejo a distância, já que o local estava interditado.
A abelha africanizada (híbrido entre a europeia e a africana) também é conhecida como "assassina" por conta de sua agressividade (podem injetar em poucos segundos oito vezes mais toxinas que as abelhas comuns). Um ataque em massa provocou a morte do caseiro Aparecido Gouveia Terra, de 56 anos. Ele recebeu cerca de 3 mil picadas.
"A gente encontrou uma colmeia grande dentro de um pneu. Está estabelecida com favos, com crias e a estimativa é que tenham de mil a 2 mil insetos´´, disse Zequi.
Com roupas especiais e fumegadores, os biólogos instalaram uma caixa ao lado da colmeia para o manejo. "Primeiro é criado um ambiente de estresse (com uso de fumaça) para as abelhas e a caixa serve para criar uma espécie de armadilha, um lugar seguro, onde elas podem ser instalar novamente", explicou o biólogo Jonas Pugina.
"Vamos fazer a retirada deste pneu, destruir o habitat velho e deixar a caixa ao lado para que elas se acostumem com o novo ambiente. Depois o pessoal da Sema vai fazer a destinação correta para um apicultor", explicou Zequi.
Os trabalhos foram acompanhados a distância pela doméstica Zenilda Rodrigues, companheira de Aparecido Terra. Abalada, ela não se conformava com a tragédia. "Ele havia me levado para o trabalho por volta das 13 horas. Quando foi 15h20 recebi uma ligação do hospital falando que ele estava mal. Não acreditei, não deu para entender ainda", lamentou.
Zenilda contou que Terra lutava contra uma hérnia umbilical. Ele havia passado por duas cirurgias e ainda estava afastado dos serviço. A suspeita é que o caseiro tenha parado às margens do ribeirão para urinar, quando teria pisado na colmeia. "Fico imaginando o desespero desse homem. Esse problema de hérnia impedia ele de segurar o xixi e era comum ele parar em qualquer lugar quando estava apurado", disse.
"Fiquei ao lado dele todo o tempo no hospital. Ele tinha tanta picadas que não dava para contar. Uma abelha ainda estava viva e saiu da orelha dele, um horror. Os médicos tentaram fazer tudo, mas não deu", relembrou. Ela nega que tenha havido negligência.
A caixa com a colmeia deve ser retirada do fundo de vale nesta segunda-feira.

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