Sema desconhece situação de lava rápidos
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sexta-feira, 17 de maio de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina A Secretaria Municipal do Ambiente(Sema) não sabe o número real de lava rápidos que funcionam de forma regular e quantos descumprem as normas ambientais em Londrina. A principal preocupação é em relação ao descarte da água utilizada nas lavagens de veículos. Londrina possui 313 empreendimentos cadastrados na Secretaria de Fazenda.
De acordo com o Código Ambiental do município, todo lava rápido para funcionar precisa possuir uma caixa de retenção para a separação do lama e do óleo da água. O tamanho médio desta caixa é de três metros quadrados por um metro e meio de profundidade, dividida em quatro compartimentos. A limpeza deve acontecer, no mínimo, a cada seis meses.
"Esta caixa funciona como um filtro e através do processo de decantação faz a separação. Esta caixa precisa estar ligada à rede de esgoto para que a água possa ser tratada. Se ela estiver ligada na rede pluvial vai acabar poluindo os rios da cidade", explica o engenheiro químico da Sema, Paulo Fabrício Vasconcelos.
Um dos grandes problemas para a regularização dos estabelecimentos começa neste ponto. Segundo o secretário do Ambiente, Cleuber Brito, apesar de ser uma exigência da lei, a Sanepar alega que não pode receber este efluente, pois não possui licença e condições técnicas para fazer o tratamento desta água.
"É um conflito que enfrentamos e muitas empresas ficam irregulares por que não conseguem a autorização da Sanepar para fazer a ligação na rede de esgoto", afirma Brito.
A Sanepar informou que o Código Ambiental de Londrina tem mais de uma interpretação em relação ao descarte na rede de esgoto. A companhia ressaltou ainda que restos de óleo e de graxa causam entupimento na rede e que o atual tratamento não remove essas substâncias, fazendo com que este resíduo chegue da mesma forma aos rios. De acordo com a Sanepar, são os próprios lava rápidos que devem dar a destinação correta a estes produtos e à água. "Precisamos chegar a um acordo com a Sanepar ou então mudar o código ambiental do município", sugere o secretário.
A caixa de retenção precisa estar em local coberto para que a água da chuva não caia também na rede de esgoto. "A manutenção por profissional especializado deve ser feita sempre que a quantidade de resíduos atingir a metade da capacidade da caixa", ressalta Vasconcelos. Os empreendimentos têm que ter um sistema de canalização para levar a água até a caixa retentora.
"Eu precisei aumentar o telhado do local de lavagem para evitar que a água da chuva caísse dentro da caixa de retenção e se misturasse com a água suja. Acho que o ideal é buscarmos algumas alternativas para reaproveitar esta água já usada e diminuir o uso de água potável", conta Wilson da Silva, de 44 anos, proprietário de um empreendimento na Avenida São Paulo, na região central, que lava, em média, 20 carros por dia.
O resíduo sólido que sobra na caixa - lama, óleo e graxa - se enquadra em resíduos da classe 1 e precisa ser descartado em um aterro industrial. "Eu gasto cerca de R$ 2 mil toda vez que faço a limpeza da caixa. A última limpeza foi há cinco meses. Uma empresa especializada retira os resíduos e faz o descarte correto", informa Amadeu Pedro Castilho, de 32 anos, proprietário de um lava rápido na Rua Benjamin Constant, no centro.
Os lava rápidos precisam funcionar em local com piso impermeável, para evitar que a água contamine o solo. É necessário ainda que o setor destinado à lavagem dos veículos tenha pelo menos duas paredes nas laterais, com altura mínima de 2,5 metros.
"Se a parede do fundo for divisa com outro terreno, a altura tem que ser até o telhado para evitar que o imóvel vizinho seja atingido pela água", coloca Paulo Fabrício Vasconcelos. A Sema promete uma fiscalização em todos os lava rápidos da cidade nos próximos meses.


