Sem verba de custeio, reitora diz que UEL vive crise sem precedentes
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Diego Prazeres<br> Reportagem Local 
Londrina - As contas de água e luz não são pagas desde novembro. Não há verba para as despesas correntes, como telefone, internet, combustível, bolsas de estudo e tudo o mais que se refere a conservação e manutenção de toda a estrutura física e administrativa do campus. Obras já licitadas e com recursos aprovados em convênios assinados com o Governo Federal, como a construção da maternidade do Hospital Universitário e da Clínica Odontológica, não têm prazo para começar.
A crise financeira do Estado chegou com força à Universidade Estadual de Londrina (UEL), a maior das sete instituições estaduais de Ensino Superior do Paraná.
"Isso nunca aconteceu na história da UEL. Não me lembro de termos passado por uma situação como essa", resumiu a reitora Berenice Jordão, que ontem se viu obrigada a convocar uma entrevista coletiva em seu gabinete para esclarecer os efeitos do colapso, cujos reflexos estão sendo sentidos mais profundamente nesta semana, quando os mais de 25 mil alunos da instituição iniciaram o ano letivo sem aulas por causa da greve geral dos docentes e agentes universitários. Greve que se estende a vários setores do Governo do Estado, desde que a administração estadual propôs um pacote de medidas rechaçado pelo funcionalismo.
Há uma semana, Berenice e os outros seis reitores das demais universidades estaduais foram informados pelo secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, de que o governo não liberaria a verba de custeio destinada neste ano às instituições. No caso da UEL, o valor chega a R$ 29,4 milhões. O único repasse garantido às universidades são os R$ 9 milhões voltados exclusivamente ao pagamento do Pasep, imposto federal obrigatório recolhido para a formação do patrimônio do servidor público.
A UEL ficará com R$ 2,8 milhões do montante, insuficiente para cobrir o gasto anual da universidade com a taxa, estimado pela reitoria em cerca de R$ 6,9 milhões. Berenice Jordão disse que a UEL já iniciou 2015 com déficit de R$ 6,1 milhões nas despesas de custeio, porque segundo ela o repasse à universidade não foi feito em sua totalidade ano passado. Com orçamento anual de R$ 567 milhões, incluindo ensino e pesquisa, folha salarial e encargos, a instituição se vê numa situação incomum de ter que lidar com a possibilidade, ainda que remota e por enquanto impensada pela reitora, de ter que cogitar paralisar algumas atividades acadêmicas.
"O secretário da Fazenda colocou aos reitores que há uma crise de desequilíbrio econômico e financeiro no Estado e nós aguardamos que possa haver uma solução no menor prazo possível para que não haja descontinuidade das atividades por falta de repasses de recurso de custeio", disse a reitora.
Ela ressalvou que os recursos federais provenientes de convênios com o Ministério da Educação destinados a atividades acadêmicas específicas e aos cursos de mestrado e doutorado não estão comprometidos, mas alertou que boa parte da verba repassada pelo MEC é para obras que exigem contrapartida do Governo Estadual para serem executadas, como a construção da maternidade do HU, da Clínica Odontológica e de novos laboratórios. Em relação às obras de reforma e ampliação do Restaurante Universitário (RU), Berenice assegurou que não serão afetadas porque contam com recursos próprios da UEL, algo em torno de R$ 5 milhões.
A gestora informou que solicitou um levantamento interno em todos os centros de estudos e setores administrativos da universidade para apontar quais atividades podem ser mantidas e com quais recursos, a fim de apresentá-lo ao governador Beto Richa (PSDB), em audiência que os reitores esperam que seja confirmada para o início da próxima semana.


