Agência Estado
De Belo Horizonte
A falta de vagas em Centros de Tratamento Intensivo (CTIs) para neonatais em hospitais da rede pública de Belo Horizonte provocou ontem a morte de mais um recém-nascido, Vitor Silvestre. Este foi o nono caso registrado este ano na capital mineira. O bebê nasceu no sábado à tarde, de parto normal, na Maternidade Ernesto Gazzoli, periferia da capital. O menino pesava 3,2 quilos e bom estado geral de saúde. O cordão umbilical, no entanto, enrolou-se em seu corpo e causou problemas respiratórios.
Durante mais de 20 horas, familiares da criança e médicos da maternidade procuraram vaga em CTIs de hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para que Vitor pudesse receber o tratamento adequado, com a aplicação de um respirador mecânico. A informação na Central de Leitos municipal foi de que os 31 existentes estavam ocupados. O obstetra Leonardo Araújo ainda tentou, por conta própria, encontrar um leito para o bebê, mas não teve sucesso. ‘‘A burocracia é tão grande para conseguir uma vaga que é mais fácil tentarmos diretamente com os colegas’’, disse o médico.
Na tarde de domingo, surgiu uma vaga na CTI Neonatal do Hospital Municipal Odilon Bherenz. Porém, o menino morreu antes mesmo de deixar a maternidade onde nascera. Na quinta-feira passada, alarmado com a quantidade de recém-nascidos mortos por falta de vagas para tratamento intensivo, o prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro (PSB), inaugurou as dez vagas do Odilon Bherenz e prometeu a criação de mais leitos este ano.

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