Sem-teto têm dificuldade de acesso a serviços públicos
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segunda-feira, 06 de junho de 2011
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - ''Não somos bicho, somos gente.'' A afirmação de impacto é do ex-morador de rua Milton Santana Filho, de 39 anos. Por seis, ele perambulou pela cidade sem ter onde ficar. Resultado do vício em drogas, como o álcool e o crack.
Após um período de internação no ano passado, Santana teve uma recaída e voltou para as ruas. Agora resolveu tentar de novo. ''Estou sem usar drogas, participo de reuniões semanais para me manter firme'', revela.
Sobreviver é um desafio para Santana. Um lugar para morar ele conseguiu, mas só consegue pagar o aluguel de R$ 200 cobrado pelo proprietário de uma quartinho na Vila Casoni (Área Central), com ajuda da irmã. ''Almoço e janto no Bom Samaritano'', conta.
Mesmo com toda dificuldade, Santana encontra disposição para lutar pelos direitos de quem não tem onde morar. É o único ex-sem-teto que integra o Movimento da População de Rua em Londrina. Divide com o presidente Leonardo Aparecido Gomes, que viveu mais da metade dos seus 35 anos na rua, a tarefa de reunir-se semanalmente com representantes do Ministério Público, Assistência Social, entre outros órgãos públicos, para discutir e levantar soluções para a população em situação de rua.
De acordo com a coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas I) Lucineia Maria Ribeiro, há cerca de 220 pessoas vivendo nas ruas de Londrina atualmente. Número que, segundo ela, tem se ''mantido estável'' nos últimos tempos.
De acordo com Santana, um dos maiores desafios enfrentados hoje pelos moradores de rua é ter acesso aos serviços de saúde. ''Teve vez em que o Samu não veio atender porque era de rua. Aí tem vez também que só atendem acompanhado de alguém do Sinal Verde'', critica.
Lucineia confirma que há casos em que é necessário acionar o Creas para que o morador de rua tenha acesso aos serviços de saúde. ''Fizemos um levantamento recente que nos chocou. Onze pessoas em situação de rua que eram atendidas pelo Creas morreram no ano passado. Número bem superior a 2009, quando foram quatro vítimas'', revela.
Segundo ela, a principal causa das mortes são doenças relacionadas ao uso abusivo de drogas. ''Cirrose e problemas pulmonares são mais comuns. A média de idade dos mortos era de 30 a 50 anos. Receberam atendimento médico de urgência, mas os quadros eram graves'', afirma.
Para melhorar a assistência aos sem-teto, o movimento defende a criação de consultórios de rua. ''A maioria da população de rua não tem acesso às medidas preventivas de saúde, como vacinas, por exemplo. E essa medida, que já existe em Maringá, levaria esse benefício para eles'', comentou a psicóloga Sara Gladys, que apoia o movimento e participa das reuniões em Londrina.


