São Paulo, 01 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto da Região Central ocupou ontem (31) um prédio de onze andares no número 1.224 da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo. As famílias chegaram com fogões, televisores e móveis e tomaram as salas do prédio, que estava sendo reformado pelo proprietário para aluguel e venda das salas.
Segundo o coordenador do movimento, o metroviário Hamilton Sílvio de Souza, o prédio estava desocupado havia quatro anos. "Pensamos que era da Secretaria de Estado da Saúde", disse. De acordo com Gilberto Roggero, que representa o proprietário do imóvel, o contrato com a Fundação Cejan, que prestava serviços para o Hospital Pérola Byington, foi rescindido somente no ano passado.
"Esse coordenador sabe que o prédio não era público porque retirou todas as placas de aluga-se e vende-se", disse Roggero. "Ele parece ser uma pessoa instruída e poderia ter ligado para a imobiliária para saber a situação exata."
O procurador disse que o proprietário mora "no norte", tem dificuldades de locomoção e ainda não está sabendo da invasão. "Ele sempre pagou imposto por um imóvel que já tem 50 anos e é seu único imóvel na cidade", disse. "A reforma estava demorando exatamente pela dificuldade financeira."
Segundo Souza, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto da Região Central é uma dissidência do Fórum dos Cortiços, uma das organizações que promoveram a ocupação, há uma semana, de seis prédios na cidade. "Diante da negativa do governo em nos receber, fizemos três ocupações", disse o coordenador. As outras invasões ocorreram em 17 de setembro e 22 de outubro, nas Ruas Conde São Joaquim e Maria Paula.

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