São Paulo, 25 (AE) - Cinco prédios públicos e um particular em São Paulo foram ocupados à zero hora de hoje por cerca de 3 mil famílias, ou 7,5 mil pessoas, coordenadas pela União dos Movimentos de Moradia (UMM). A entidade utilizou-se do recurso para pressionar o governador Mário Covas (PSDB) a construir moradias em forma de mutirão, conforme promessa que teria feito durante a campanha eleitoral do ano passado.
O governo estadual considerou a "ocupação" (termo utilizado pela UMM) uma "invasão" e enviou a Tropa de Choque da Polícia Militar para um dos dois prédios pertencentes ao Estado, o do Conjunto Habitacional Voith, em construção. A reintegração de posse foi feita pacificamente. Um dos prédios tomados temporariamente pela UMM é o da nova sede, com obras paralisadas, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na Barra Funda, zona oeste. O prédio ficou famoso após investigações, na CPI do Judiciário do Congresso, sobre superfaturamento nas obras. Dos R$ 230 milhões pagos à construtora Ikal, segundo o Ministério Público, R$ 160 milhões foram desviados.
Pelas contas da UMM, com essa verba - ou a necessária para finalizar a obra - poderiam ser construídos apartamentos, em regime de mutirão, para cerca de 50 mil pessoas, ou 15 mil famílias. O custo, em caso de mutirão, é de R$ 12 mil por apartamento de 54 metros quadrados, conforme a organização. "Queremos abrir uma discussão nacional sobre os recursos para a habitação popular", disse hoje Benedito Roberto Barbosa, membro da Executiva da UMM paulista. Improviso - No futuro prédio do TRT, formou-se um cortiço improvisado. O alojamento dos pedreiros virou creche. As salas em construção viraram quartos ocupados por famílias com crianças
velhos e mulheres grávidas. Não há água. Os mantimentos foram recolhidos em campanha. As famílias que estavam hoje nas obras do TRT vieram de barracos situados em área de risco, casas de parentes ou estão sendo ameaçadas de despejo, conforme a UMM.
A aposentada Maria do Carmo Novaes Santana deixou seu barraco no Jardim Fontales, na zona norte, para participar da tomada do local. As casas desse bairro ficam em área de risco, sob fios e torres de alta tensão. "Viemos para exigir um direito nosso, de moradia, não para fazer arruaça ou tumulto". Dois outros prédios "ocupados" pertencem à Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) - assim como o da CDHU, pertencente ao Estado - e à Caixa Econômica Federal (CEF). Um dos prédios, particular, não teve o dono identificado nem pela UMM nem pelo Estado. O sexto prédio "invadido" seria da Fepasa.
A assessora de comunicação de Covas, Meire Zaidan, disse no início da tarde que o governador não tinha "nada a dizer" sobre a ação da UMM.

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