Sem-teto invadem quatro edifícios em São Paulo
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segunda-feira, 21 de julho de 2003
Alencar Izidoroe Chico de Gois<br> Agência Folha 
São Paulo - Um grupo de 3.100 sem-teto fez na madrugada de ontem invasões em quatro prédios particulares do centro de São Paulo, na maior ação simultânea de entidades de moradia dos últimos 14 meses. A Polícia Militar chegou a evitar a entrada de sem-teto em outros dois edifícios. Em duas das ocupações realizadas também chegou a haver confronto com a PM.
A maioria dos invasores é formada por mulheres, crianças e habitantes da região central camelôs, moradores de albergues e cortiços. Há também moradores de áreas de manancial, na zona sul de São Paulo. Eles são liderados pelo MSTC (Movimento dos Sem-Teto do Centro), mas também houve a participação de outros quatro grupos do setor.
A série de invasões começou a ser articulada há mais de seis meses. Embora seja ligada à UMM (União dos Movimentos de Moradia), principal entidade que reivindica habitação aos sem-teto, e tenha entre seus líderes militantes do PT, a direção do MSTC decidiu organizar as ocupações de maneira independente. Os alvos dos movimentos foram prédios particulares vazios (exceto um deles) e que estavam à venda. A intenção é pressionar os representantes da prefeitura, Estado e governo federal a acelerar os projetos populares de moradia.
Dos quatro prédios onde as invasões se concretizaram, três são de hotéis que não estavam em atividade. O MSTC já mantinha ocupações em quatro edifícios do centro, totalizando 457 famílias, segundo Eudete Rodrigues da Silva, uma das coordenadoras do movimento. Ela estima que 12 mil famílias sejam ligadas ao grupo.
A última megainvasão dos sem-teto em São Paulo aconteceu em maio do ano passado, quando 5 mil chegaram a ocupar oito áreas. Em outubro de 1999, entidades do setor organizaram a invasão simultânea de seis imóveis, com 6.100 sem-teto.


