Sem-teto invadem prédio público e entram em confronto com GCMs
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Andréa Portella 
São Paulo, 13 (AE) - Cerca de 350 pessoas invadiram hoje um imóvel da Secretaria das Administrações Regionais, no Canindé
na zona leste de São Paulo. A ocupação começou por volta de meia-noite. Às 6 horas, a Guarda Civil Metropolitana iniciou a retirada dos sem-teto. Houve alguns tumultos e choques com os policiais.
Os ocupantes estavam há pouco mais de um mês em um prédio particular na Rua Dutra Rodrigues, na Luz, zona norte. Avisados da reintegração de posse - que foi feita na manhã de hoje -, começaram a nova ocupação, durante a madrugada. Aproximadamente 80 pessoas seguiram para o imóvel da secretaria. Os demais permaneceram onde estavam e foram retirados durante a manhã pela Polícia Militar.
"Estou a ponto de cair de fome", dizia, na hora do almoço, a dona de casa Sherli das Dores da Silva, cercada pelos quatro filhos. Ela e o marido, que é camelô, saíram de Santos e vieram para São Paulo, mas acabaram sem ter onde morar. "Eu esperava encontrar uma casa, um serviço e escola para as crianças", contou. "Só achamos mais dificuldades".
Confronto - Por volta de 11 horas, no Canindé, houve o primeiro conflito. Ao tentar retirar as pessoas que estavam instaladas no imóvel, os guardas teriam agredido os manifestantes. "Levei um pescoção", contou a vendedora Mércia de Fátima Silva dos Santos. Duas horas depois, quando a maior parte do grupo se instalou na Praça Elias Chaibub, um novo choque. Os sem-teto começavam a montar barracos para "proteger mulheres e crianças", mas os guardas desmontaram um deles, ainda em construção. Houve tumulto e algumas pessoas voltaram a ser agredidas.
Segundo a integrante da União dos Movimentos de Moradia Evaniza Rodrigues, a Prefeitura não ofereceu abrigo para os sem-teto. O deputado estadual Paulo Teixeira (PT), que tentava negociar com o Estado e garantir os direitos dos ocupantes, disse que realmente não havia disposição da Prefeitura em oferecer uma alternativa aos sem-teto. A Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Habitação informou que uma equipe de técnicos e assistentes sociais está acompanhando o caso e deixou vagas à disposição dos moradores em albergues da Prefeitura. Até as 18 horas, porém, nenhum morador havia aceitado a oferta.


