Sem-teto invadem pátio interno da Prefeitura de SP em busca de verbas para moradia
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 18 (AE) - Pelo menos mil militantes dos movimentos pela moradia em São Paulo invadiram às 11h15 de hoje o pátio interno do Palácio das Indústrias, sede do governo municipal, no Parque D.Pedro II. Empunhando faixas, bandeiras e até um barraco pintado de cor-de-rosa, com roupas no varal e tudo, homens, jovens e mulheres, muitas carregando os filhos nos braços, ocuparam as escadarias do palácio. Desorientados, os guardas civis metropolitanos fecharam a grande porta de madeira de acesso ao saguão do prédio.
Desde cedo os guardas civis que fazem a segurança do prédio foram informados que os sem-teto, reunidos na Praça da Sé
desceriam até a Prefeitura. Os portões da Avenida Mercúrio, s/n
foram fechados, mas não puderam ser trancados, pois os cadeados estão quebrados há muito tempo, conforme informou um guarda. "Só foi empurrar o portão de ferro e todos puderam entrar", contou o vereador Adriano Diogo (PT).
Depois da casa arrombada, a Guarda Civil decidiu colocar a tranca, impedindo o acesso de repórteres, cinegrafistas e fotógrafos e exigindo a apresentação do crachá aos funcionários. No interior do palácio, guardas andavam apressados de um lado para outro, carregando tonfas (espécie de cassetete) e escudos. Na rua, três carros da Ronda Municipal (Romu) invadiram calçadas da Avenida do Estado e da Praça Ulisses Guimarães, por pouco não atropelando pedestres. Paródias - Enquanto isso, nas escadarias, os manifestantes cantavam paródias de músicas conhecidas, reivindicando a construção de moradias populares, ou rezavam. Vaiaram quando um grupo de guardas ficou perfilado no corredor de acesso ao saguão. "Vou ficar aqui a tarde toda só olhando para a cara deles", desafiou Maria Aparecida de Souza, de 21 anos, sentada de costas para a assembléia e de frente para os policiais militares, chamados para reforçar a segurança.
"Viemos cobrar do prefeito a construção de duas mil casas populares pelo sistema de mutirão nas regiões leste, oeste e norte, conforme o contrato de compromisso assinado por ele em novembro do ano passado", disse Vera Eunice Rodrigues da Silva, da coordenação da União dos Movimentos de Moradias. Olga Quiroga
do Fórum dos Cortiços, cobrava a concessão de títulos de propriedade para 120 famílias. "A Prefeitura desapropriou o prédio do INSS da Avenida 9 de Julho, prometeu reformá-lo para destinar às famílias carentes, mas até agora não fez nada"
Uma comissão dos manifestantes reuniu-se com o secretário municipal da Habitação, Deniz Ferreira Ribeiro. Ficou acertado que na próxima semana a Prefeitura assina convênio com representantes dos movimentos de moradia para a construção de 400 casas pelo sistema de mutirão na zona leste. "Os convênios serão assinados com as entidades que já regularizaram todos os documentos, atendendo as exigências da lei".
Ribeiro informou ainda que sexta-feira haverá uma reunião com a direção do Fórum dos Cortiços para tratar das questões legais para que a Prefeitura possa iniciar a reforma do prédio da Avenida 9 de Julho. "Existem impedimentos legais que a Prefeitura está removendo", disse. "O problema demanda algum tempo, pois não está sendo possível resolver com a rapidez que desejamos".
Enquanto esperavam a negociação, os sem-teto ouviram forró e axé em alto volume e lancharam milho verde e salgadinhos. Depois do protesto o chão ficou cheio de sacos e cascas de frutas. Devagar, os manifestantes caminharam para os ônibus, o trem e o metrô, para a viagem de volta.


