Sem-teto invadem loteamento particular
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sexta-feira, 15 de agosto de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pegando carona na onda de invasões de propriedades rurais pelo Estado, um grupo de cerca de 50 famílias ocupou, por volta da zero hora de ontem, um terreno próximo ao Conjunto Residencial Caiuá, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). O loteamento é particular e, segundo a Prefeitura de Curitiba, clandestino, pois não teria aprovação do projeto pelo município.
A invasão foi anunciada. Anna Holdina Leite, que se apresentou como dona do terreno, disse que recebeu um telefonema anônimo, denunciando a ocupação. Ela enviou um ofício à Polícia Militar (PM) pedindo providências para coibir a invasão. Policiais militares chegaram a ir até a área, mas não puderam evitar a entrada das pessoas no terreno. Segundo informações da 3 Companhia do 13º Batalhão da PM, a polícia só poderia intervir com mandado de reintegração de posse, que até o final da tarde não havia sido apresentado.
Anna contou que ela e seu marido, João Manoel Leite, conseguiram o terreno por usucapião e usaram a área para plantar. Desistiram do cultivo agrícola e decidiram fazer o loteamento. Parte das famílias que invadiram o terreno, segundo ela, seria compradora que desistiu de pagar pelos lotes, que ainda não tinham documentação regularizada.
Representantes do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) e da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab) e vereadores do PT voltaram a se reunir, ontem, para discutir o encaminhamento das propostas de moradia para as 47 famílias de sem-teto que continuam alojadas na sede do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetros), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. Não houve avanço.
Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Curitiba, a Cohab ainda aguarda a liberação dos recursos do convênio firmado com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) para o projeto de loteamento em que os sem-teto poderiam ser incluídos. Só com essa garantia, o órgão se compromete a arrumar um alojamento provisório para os sem-teto.
A assessoria da Sema informou que o convênio venceu em 1º de março e que não há, ainda, definição sobre sua retomada. O assunto será colocado na pauta da próxima reunião do Conselho Estadual do Meio Ambiente, que deve acontecer em setembro.
A assessoria da prefeitura rebateu a informação, garantindo que o convênio foi aditado em dezembro de 2002 e tem validade até o final deste ano. Informou, ainda, que uma das possibilidades discutidas na reunião de ontem é que o governo repasse os recursos desse convênio para a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) para que o órgão providencie a implantação do loteamento.


