Curitiba - As 40 famílias sem-teto que desde 31 de maio ocupam o prédio do antigo Banestado, na Rua Marechal Deodoro, no centro de Curitiba, invadiram, ontem de manhã, a sede da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab), como estratégia para pressionar o município a atender suas reivindicações. O grupo, que inclui representantes do Movimento Nacional pela Moradia (MNM), foi recebido pela presidente da Cohab, Teresa Oliveira, mas não obteve nenhuma resposta positiva.
Os sem-teto deram prazo de 30 dias para que a Cohab apresente um terreno em Curitiba com tamanho suficiente para fazer o assentamento de 500 famílias e ter áreas comunitárias onde seriam desenvolvidos projetos de geração de trabalho e renda. Eles pediram também que a prefeitura, através da Cohab, ''não faça mais despejos de mutuários inadimplentes''.
A presidente da Cohab considerou a atitude dos sem-teto uma provocação. ''Eles nos deram um documento mal-escrito e mal-educado com reivindicações que já sabiam que seria impossível atendê-las. Como é que vamos pegar uma área para 500 casas em Curitiba e simplesmente passá-los na frente da fila que aguarda pelos lotes da Cohab?'', questionou.
''Nós esperamos que a Cohab reveja essa posição. Entendemos que há terras em Curitiba e que ela (Cohab) tem condições de atender essa reivindicação'', rebateu o coordenador estadual do movimento, Anselmo Schwertner. O MNM também acusa a atual gestão municipal de não ter uma política habitacional dirigida às famílias carentes.
Teresa também negou que o órgão esteja fazendo ou tenha planos de despejar famílias inadimplentes. ''A desocupação dos imóveis só é feita em casos extremos'', afirmou. Atualmente 60% dos mutuários estão inadimplentes, e, desde o início do ano, o órgão está realizando a campanha ''Juros zero'', com obetivo de refinanciar os débitos.
A situação das 40 famílias que ocupam o Banestado continua indefinida. O prédio, hoje, pertence ao banco Itaú, que já obteve na Justiça a reintegração de posse. Os sem-teto, no entanto, estão há quase um mês e meio no local. No último dia 30, eles chegaram a protocolar documento na prefeitura solicitando a ida do prefeito e da presidente da Cohab ao local.

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