São Paulo, 14 (AE) - A tragédia na Fazenda da Juta, na zona leste de São Paulo, deixou três mortos e 20 feridos na manhã de 20 de maio de 1997. Um dia antes, um grupo de moradores havia passado mais de dez horas em frente do Palácio dos Bandeirantes, tentando negociar a permanência no local. Sem obter solução para o caso, eles prometiam resistir à retirada.
"Já fui despejado antes e não vou ser de novo", garantiu, horas antes o eletricista Jurandir da Silva, de 29 anos, que participava da ocupação, iniciada 15 dias antes. "Só saio da minha casa morto." Ele foi um dos três mortos no conflito entre a polícia e os invasores. O primeiro a tombar, com um tiro na nuca, foi o mecânico Crispim José da Silva, de 25 anos. Geraci Reis de Moraes, de 29, foi a terceira vítima.
Uma semana depois, o promotor Francisco José Cembranelli denunciou que a cena do confronto foi mudada e limpa, o que poderia atrapalhar apurações.Após o confronto foi constatada a venda irregular de terrenos e o Ministério Público Estadual chegou a mover sete ações contra o Movimento Sem-Terra Pró-Moradia de Santo André.
O líder da resistência, Ademar Luiz Machado, foi acusado de ser o responsável pela venda ilegal de lotes.

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