Sem-teto fazem acordo de arrendamento com CEF
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Ricardo Mendonça (especial para a AE) 
São Paulo, 20 (AE) - A Caixa Econômica Federal e o movimento dos sem-teto começaram a pôr em prática o programa alternativo de arrendamento de moradias para pessoas e famílias filiadas à entidade que não têm onde morar. O presidente do banco, Emílio Carazzai, e representantes do Movimento para Moradia no Centro (MMC) assinaram, hoje de manhã, na sede da Caixa em São Paulo, o primeiro contrato para a recuperação e posterior arrendamento de apartamentos de um edifício no centro.
O prédio, que fica na Rua Fernão Sales, 24, tem sete andares e 54 apartamentos, com 55 metros quadrados cada. As unidades serão arrendadas para famílias filiadas ao MMC pelo preço total de R$ 19.136,00. Cada um dos futuros moradores vai pagar taxa que varia entre R$ 119,00 e R$ 140,00.
Pelas regras do programa, aqueles que conseguirem pagar corretamente as taxas por 15 anos receberão, no fim do período, o título de propriedade do imóvel. O valor total da operação, incluindo a reforma e o preço do prédio, é de R$ 1,033 milhão, e o prazo previsto para a execução das obras, seis meses.
De acordo com o líder do MMC, Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, há ainda mais dois prédios antigos no centro da cidade que, em maio, serão objetos do mesmo tipo de contrato entre o movimento e a Caixa. Serão arrendadas mais 122 unidades. Ele espera fazer o mesmo tipo de operação em outros 11 edifícios antigos até o fim do ano.
O MMC indica à Caixa Econômica Federal um imóvel de seu interesse, que, em seguida, começa a analisar a viabilidade do negócio. Caso a negociação de transferência do prédio com os proprietários do imóvel seja bem-sucedida, o banco solicita ao MMC a lista de famílias que ocuparão os apartamentos.
Depois da análise cadastral de cada família, considerada "muito minuciosa" por Gegê, a Caixa devolve ao MMC a relação dos arrendatários aprovados e a lista dos reprovados com as devidas justificativas. Os sem-teto recebem autorização ocupar o imóvel assim que a reforma estiver concluída.
Lançado em 1999, o Programa de Arrendamento Residencial (PAR) é dirigido aos trabalhadores com renda de até seis salários mínimos. A verba disponível é de R$ 3 bilhões, dos quais R$ 808 milhões para o Estado de São Paulo.
A operação tradicional do programa é fazer o financiamento de imóveis novos, contrato considerado difícil de ser obtido em São Paulo por causa do limite máximo de financiamento por unidade, R$ 20 mil.


