Sem-teto exigem casas populares
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quarta-feira, 18 de junho de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Movimento Nacional de Luta pela Moradia só vai desocupar o prédio do antigo Banestado, em Curitiba, se as autoridades oferecerem em troca uma área para a construção de casas populares. ''A ocupação desse prédio é uma moeda de troca. Só saímos daqui com a garantia de um bairro onde possam ser construídas casas'', declarou o coordenador estadual do movimento, Anselmo Schwertner.
O grupo de sem-teto fez ontem uma manifestação em frente ao prédio, ocupado há 13 dias por 40 famílias cadastradas e que não têm onde morar. Anselmo Schwertner diz que o déficit habitacional no Estado é de um milhão de moradias. Em Curitiba, o déficit chega a 100 mil casas, afirmou.
A Cohab de Curitiba tem cerca de 60 mil pessoas na fila da casa própria. Para estabelecer a necessidade de moradias na capital a Prefeitura se baseia também em dados do instituto de pesquisas econômicas e sociais Fundação João Pinheiro (do Governo de Minas Gerais) que aponta o déficit de 75.668 mil moradias.
''Estamos querendo negociar, chamar a atenção da população e dos governos para este problema que é grave'', afirmou ele. Em todo o Brasil, o déficit habitacional seria de 7 milhões de moradias, segundo divulgado pelo Ministério da Cidade.
Com o governo do Estado as negociações para uma política de reforma urbana estariam avançadas. Em Cascavel, teria sido acertada uma parceria para a construção de casas pelo sistema de mutirão. Em Curitiba, a reivindicação imediata é a de disponibilização de terreno para a construção de 500 casas populares que seriam financiadas pelo governo do Estado em parceria com a Caixa Econômica.
Schwertner disse não estar preocupado com reitegração de posse do prédio, hoje pertencente ao Banco Itaú, que comprou o Banestado em outubro de 2000. Acho que não vai haver reitegração. A Polícia Militar obedece ordens do governador (Roberto Requião), que está sensível com nossa situação'', complementou.
As famílias que ocuparam o prédio já organizaram colchonetes e colchões e improvisaram uma cozinha onde são feitas as refeições. Elas aguardam agora que a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) libere a água para que o protesto possa continuar. ''Tivemos um problema sério nesse período que foi a falta de água. Mas já tivemos a sinalização da Sanepar de reparar esse erro e fornecer água para o prédio'', disse.
O movimento recebe cerca de US$ 60 mil de organizações não-governamentais da Europa para manutenção da entidade na América Latina. Os líderes do movimento recebem R$ 500,00 por mês. ''Temos que comprar com esse dinheiro os vales transportes e cartões telefônicos para manutenção da nossa luta. Não temos dinheiro sobrando'', garante Schwertner.


