Sem-teto enfrentam PM em tentativa de invasão em SP
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Natalie Antar 
São Paulo, 16 (AE) - Três pessoas levemente feridas, três presas, explosão de bombas de efeito moral, tumulto, corre-corre e uma tentativa frustrada de ocupação de um prédio particular na região central. Esse foi o resultado de uma operação liderada pelo Fórum dos Cortiços e Sem-Teto de São Paulo (UMM) na madrugada de hoje.
Cerca de 600 sem-teto tentaram invadir o Edifício Sande 1, na Rua Asdrúbal Nascimento. A polícia ficou sabendo e evitou a invasão. Para isso, foram necessários bombas de efeito moral e 50 homens. Essa seria a quinta ocupação do movimento este ano. A idéia é que, no início de 2000, não haja famílias sem lugar para morar.
O grupo reuniu-se às 22 horas em um prédio ocupado desde outubro na Rua Abolição, 431. A Polícia Militar ficou sabendo da nova ocupação e enviou vários carros para o local. "Não podemos tirar essas famílias dos prédios já ocupados, mas é nosso dever evitar novas invasões", disse o tenente supervisor da área centro, Rogério Silva Pedro. "E é isso que vamos fazer."
Crianças - Ignorando os oito carros da PM que estavam do lado de fora do prédio, o grupo de sem-teto saiu correndo em direção ao local a ser invadido. Foram quase dez minutos de corre-corre e pavor nas ruas da região central. As mulheres carregavam as crianças e os homens iam na frente. Todo o percurso foi acompanhado pelos homens da PM.
No meio de tanto desespero, a garotinha Graciela, de 2 anos, ria no ombro da mãe. Ela estava gostando da corrida sem saber realmente o motivo. "Ela é um anjinho e ainda não compreende o nosso drama", contou a mãe, a catadora de papel Adriana Cruz, de 23 anos.
Quando o grupo chegou ao local, a PM já estava de prontidão e evitou a invasão do prédio, que não estava completamente abandonado, pois havia algumas famílias morando no local. Depois de duas horas, os sem-teto resolveram ir embora e reunir-se no domingo para decidir seus próximos passos.


