Sem-teto e PM entram em choque durante despejo em PE; 16 pessoas ficaram feridas
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quinta-feira, 23 de dezembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 23 (AE) - Dez policiais militares e seis sem-teto ficaram feridos, hoje, em um confronto durante despejo de cerca de 400 sem-teto de um terreno pertencente à Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), onde existe uma estação de tratamento de esgoto, em Maranguape 1, município metropolitano de Paulista. As famílias ocupavam o local desde o dia 06 e decidiram resistir à determinação judicial de reintegração de posse. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e deu tiros para o alto.
Doze sem-teto foram detidos e liberados após prestarem depoimento na delegacia local. Dois policiais militares foram feridos na cabeça - um deles teve o capacete rompido por uma pedrada - e atendidos no Hospital da Restauração, no Recife. Dois sem-teto tiveram as pernas queimadas pelas bombas de gás.
Para cumprir a decisão do juiz da 2ª Vara de Paulista, José André Machado Barbosa, mais de cem policiais militares do Batalhão de Choque, cavalaria e cães foram mobilizados. Eles chegaram ao local às 06 horas e tentaram negociar uma saída pacífica até às 11h30. Diante da resistência dos sem-teto, que formaram uma barreira humana com paus e pedras, a polícia decidiu usar a força e teve início o conflito, que só terminou à tarde. Os sem-teto denunciaram que todos os seus pertences foram destruídos.
A PM se mantém de guarda no local para impedir uma reocupação. O coordenador do Movimento Urbano dos Trabalhadores Sem-Teto, Erick Soares, disse que a reintegração é ilegal e que a disposição dos sem-teto é de voltar ao terreno. Ele adiantou que o movimento vai entrar na Justiça com ação de responsabilidade e de perdas e danos contra o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB).


