Sem-teto despejados ocupam praça central de Sorocaba
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 01 (AE) - Cerca de 200 sem-teto ocuparam hoje (01) a Praça Coronel Fernando Prestes, a principal de Sorocaba, em protesto contra a violência policial durante o despejo, ontem (31), de 500 famílias que invadiram uma área da prefeitura. No despejo, a Polícia Militar usou bombas de gás e balas de festim contra os invasores. Pelo menos 17 pessoas, atingidas por balas de borracha e golpes de cassetetes, ficaram feridas.
Os sem-teto José Carlos Correia, atingido por um tiro na perna, e João Marques Camargo, que aspirou gás, permaneciam internados no Hospital Regional da cidade. Os manifestantes montaram no centro da praça uma exposição com restos de bombas, cartuchos deflagrados e cápsulas de balas e espalharam cartazes criticando a Polícia Militar e a prefeitura. Policiais em seis viaturas vigiavam os manifestantes.
O líder Aparecido de Lima disse que os sem-teto vão permanecer em vigília na praça até que a prefeitura indique um local para abrigar as famílias. Estava prevista uma marcha pelas ruas do centro no início da noite. O prefeito Renato Amary (PSDB) condicionou qualquer negociação à desocupação da praça. Segundo ele, a prefeitura tem um projeto de assentamento, mas as famílias já cadastradas têm preferência. Lima disse que nenhuma das famílias dos sem-teto está incluída nesse cadastro. "Onde estão os sem-teto que a prefeitura alega que cadastrou?", perguntava.
Denúncia - O deputado Hamilton Pereira (PT) denunciou à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a violência da polícia durante a desocupação. Segundo ele, o uso de 185 homens da Tropa de Choque da Capital era desnecessário. "Os policiais erraram o local e invadiram um bairro vizinho, que nada tinha com a desocupação." Segundo Pereira, as donas de casa Patrícia Orsi Guimarães e Vera Lúcia Rosa dos Santos foram feridas por disparos de balas de borracha fora do assentamento. Um filho de Vera Lúcia, Lindoval Neves dos Santos, foi agredido e arrastado pelo cabelos.
O deputado disse ter informações de que uma adolescente sofreu aborto ao assustar-se com a explosão de uma bomba. O Pronto-Atendimento Municipal do Parque das Laranjeiras confirmou ter atendido duas adolescentes, em início de gestação, que passaram mal durante o despejo.


