Sem-teto desocupam imóveis invadidos em São Paulo
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domingo, 12 de maio de 2002
Marcus Lopes <br>Agência Estado 
São Paulo - Os grupos de sem-teto que invadiram sete imóveis no fim de semana já começaram a desocupar os locais invadidos, em São Paulo. Até às 14 horas de ontem, os sem-teto já tinham se retirado do prédio inacabado da Encol, na Barra Funda, zona oeste, e do terreno da Rede Ferroviária Federal no Jaguaré, na zona oeste.
Segundo o coordenador da União Nacional por Moradia Popular, Donizeti Fernandes Oliveira, o principal motivo para o início da desocupação foi a reunião marcada para amanhã, em Brasília, entre os sem-teto e a diretoria do setor de Habitação da Caixa Econômica Federal (CEF). Na reunião, serão discutidas medidas para amenizar o problema da habitação, como abertura de crédito para as pessoas que não têm condições de comprar um imóvel.
Foi aberto um canal de negociação com o governo federal, afirmou Oliveira. Ele explicou que, no caso da Encol, o objetivo da ocupação era prestar solidariedade aos mutuários da empresa falida. Além disso, ele lembrou que o prédio, que estava em construção quando a construtora faliu, não oferece condições para longas ocupações. Na madrugada de sábado, cerca de 600 pessoas ocuparam o edifício.
No terreno da RFFSA, onde estavam 300 pessoas, a decisão de sair ocorreu depois que os líderes souberam da reunião em Brasília. Nossa proposta é mostrar que há terrenos públicos ociosos que podem ser destinados à construção de conjuntos habitacionais, mas isso não é feito, disse Oliveira.
Às 16 horas, os sem-teto fizeram uma assembléia geral em frente ao prédio da Caixa Econômica Federal, no centro, que também foi ocupado. No total, pelo menos 2,5 mil pessoas ocuparam sete imóveis na capital, entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado. Até o início da tarde de ontem, não foram registrados incidentes.


