São Paulo - Mãos dadas, bandeiras, pedaços de pau e um só grito: ''Ocupar, construir, resistir.'' O dia mal havia começado e o acampamento dos sem-teto no terreno da Volkswagen de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, já estava acordado. Chovia. Os invasores faziam uma corrente humana em torno do perímetro da área enquanto a Polícia Militar cercava os acessos do lugar. De repente, os homens da Tropa de Choque chegaram com seus cães, cavalos, atiradores de elite, escudos e armas. Os dois lados se preparavam para a batalha, mas a maior invasão de uma área urbana (170 mil m2) do País terminou sem que os policiais disparassem uma única bomba de gás lacrimogêneo ou de efeito moral. Confusão, só no fim da tarde, quando 20 sem-tetos acusaram PMs de espancá-los.
De um lado, 7 mil invasores 2 mil eram crianças. Do outro, 500 homens do Comando da Policiamento de Choque (CPChoq), 300 do policiamento de São Bernardo e um helicóptero. Os sem-teto abriram o portão de entrada do acampamento, batizado de Santo Dias, meia hora após o fim do ultimato (9h30). Quando começaram a sair do terreno, houve uma explosão forte, que cobriu de fumaça parte da área um botijão de gás explodira após ser consumido pelo fogo um dos muitos barracos incendiados pelos sem-teto que se retiravam.
As famílias que acreditaram no sonho de um pedaço de terra deixaram o lugar carregando colchões em carrinhos de bebê, fogões em grupos de amigos e tudo o que tinham em carroças de madeira. Alguns foram a pé. Outros, a minoria, atendiam ao apelo do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e entravam nos 25 ônibus e 6 caminhões cedidos pela Volkswagen para levar a mudança dos invasores para onde pedissem com a saída deles, a montadora vai retomar as negociações para vender a área.

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