Sem-teto deixam imóveis pacificamente
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quarta-feira, 21 de maio de 1997
Agência Estado 
Agliberto Lima/Agência Estado
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DesocupaçãoNa saída, Emília leva uma gata: É a única coisa que consegui salvar SÃO PAULO - Em menos de 30 minutos, 474 policiais militares acabaram com a esperança dos sem-teto que ocuparam por 19 dias os prédios inacabados do conjunto habitacional Fazenda da Juta, na zona leste de São Paulo. Ontem, ainda lamentando a morte de três sem-teto durante confronto com a PM, se renderam à ação cinematográfica da Tropa de Choque da Polícia Militar.
Às 6h30, foram cercados por 80 cavalos, 30 cães, 20 motos e 60 carros policiais. Minutos depois estava cumprida a liminar que determinava a reintegração de posse dos prédios da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
Traumatizados, muitos moradores não quiseram nem esperar as negociações e o resultado da nova ação. Abandonaram o local de madrugada. Com mandado de busca, apreensão e arrombamento - para procurar supostas armas de fogo que estariam em poder dos moradores - os PMs invadiram os apartamentos. Não vamos ficar sem nada, gritava Emília Cristina, de 19 anos. Ela é a única coisa que consegui salvar, disse referindo-se a gata Huana. O pedreiro Luiz Teixeira, de 27 anos, tentava consolá-la.
Após a primeira vistoria policial o clima começou a ficar menos tenso. Um policial convida os moradores para se dirigir ao lado do carro de som para a entrega de senhas. Depois pede para que eles se dirijam a um escritório improvisado da CDHU, a poucos metros do carro de som. O papel visa garantir o cadastramento para o Programa de Moradia da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do governo do Estado.
Um pouco mais tarde, ainda durante a operação de reintegração de posse, o Oficial de Justiça João Teodoro da Silva Cambur, acompanhado de um PM e de um cinegrafista free-lancer da CDHU, achou um revólver calibre 38, com três capsulas deflagradas. A arma foi achada durante a realização da segunda busca, no apartamento 12, escadaria B, Bloco 8. Segundo Cambur, a arma estava embaixo da pia da cozinha, embrulhada num saco de pão somente com parte do cano à mostra. O número de registro da arma está raspado. Um grupo de moradores protestou contra as alegações dos PMs de que a arma seria do antigo morador. Segundo esse grupo, a arma, que não foi vista na primeira vistoria, teria sido colocada pelos próprios PMs. O comandante da operação, coronel Carlos Alberto de Camargo, pediu que seja realizada a interdição no apartamento para realização de perícia que confirme se as impressões digitais da arma pertence ao morador.


