Sem-teto ameaçam montar acampamentos em áreas públicas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de agosto de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As 40 famílias integrantes do Movimento Nacional da Luta pela Moradia (MNLM) continuam alojadas na sede do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetros), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Contudo, os líderes do movimento pretendem negociar com alguma entidade a permanência das famílias em algum local público, como forma de pressionar a Prefeitura de Curitiba. ''Nosso lugar é em praça pública fazendo pressão política'', ameaçou o coordenador estadual do movimento, Anselmo Schwertner. A diretoria do sindicato afirmou que o alojamento está à disposição das famílias até que um local mais adequado seja encontrado.
As famílias estão no local desde sábado à noite, quando saíram do prédio do Banestado no centro de Curitiba e encontraram as portas fechadas em um barracão comunitário no Bairro Fazendinha. ''Nós sabemos que o nosso lugar não é aqui. Vamos montar um acampamento onde nos for permitido, como em frente a uma igreja ou coisa assim'', afirmou Schwertner. Segundo ele, ontem haveria uma reunião entre os líderes do MNLM e secretários do Estado em busca de uma parceria. Esse encontro não aconteceu, porém as negociações por parte do movimento continuam.
Apoiados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e por outras entidades que os líderes do movimento preferem não revelar quais são, os sem-teto estão recebendo doações de alimentos e roupas e vão arrecadar dinheiro para comprar as lonas para o acampamento. Os pertences das famílias continuam aramazenados em caminhões de uma transportadora no pátio da Academia Militar do Guatupê. Schwertner®MDNM¯ diz não saber quem pagou o transporte da mobília das famílias para o local mas que ''os objetos vão ficar lá até a mudança das famílias para um local definitivo''.
A posição da Prefeitura de Curitiba continua a mesma. Segundo a assessoria de imprensa, existe uma política de habitação e uma das normas dela é a inscrição na Cohab. Atualmente, são 60 mil pessoas na fila da em busca da casa própria. Além disso, ainda de acordo com a assessoria, regularizar a situação de pessoas que estão morando em áreas de invasão também é prioridade.


