Sem-terrinhas pedem escolas
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Guilherme Pupo e Cristine Pieske 
Curitiba
Kraw PenasCrianças reivindicam educação para 20 mil filhos de sem-terraOs 429 sem-terrinhas que fizeram uma passeata ontem no Centro de Curitiba querem educação para os cerca de 20 mil filhos de trabalhadores rurais que estão fora da escola no Paraná.
As crianças e adolescentes que participaram da marcha saíram da Catedral Metropolitana e caminharam em direção à prefeitura, onde conversaram com o prefeito Cassio Taniguchi. Depois, foram recebidos por assessores do governo no Palácio Iguaçu. A passeata foi uma das atividades do 1º Encontro dos Sem-Terrinhas, que termina hoje.
Segundo um dos coordenadores do evento, Nei Orzekiviski, o movimento deve apresentar um projeto de educação ao governo no início do próximo ano. Entre as reivindicações, está a implantação de escolas itinerantes para os acampamentos, interligadas a escolas fixas nos municípios.
O MST também pede recursos para instalação de creches e pré-escolas e para a implantação de bibliotecas, capacitação de professores, projetos pedagógicos, merenda e transporte escolar.
Hoje, os sem-terrinhas vão visitar ocupações urbanas para doar alimentos dos assentamentos, o zoológico e plantar árvores na beira do Rio Bacacheri. À noite, elas retornam às regiões dos acampamentos e assentamentos.
Incra - Os sem-terra que haviam ocupado anteontem a sede do Incra, em Curitiba, aceitaram as propostas feitas pela superintendência do Instituto para que a Cooperativa dos Produtores Rurais de Reforma Agrária do Centro Oeste (Coagri) passe por uma auditoria antes de receber os recursos do Procera. Eles deixaram a sede do Incra no final da noite de terça-feira, depois de uma reunião que durou mais de 12 horas.
Ontem, uma comissão formada por integrantes do Incra chegou a Laranjeiras do Sul para iniciar a auditoria na cooperativa, prevista para ser finalizada até o início da próxima semana. Há alguns meses, o Incra recebeu denúncias de alguns sem-terra da região acusando irregularidades na gestão financeira da Coagri. Se as denúncias forem comprovadas, o dinheiro será enviado às famílias assentadas diretamente pelo Banco do Brasil.
O repasse de recursos havia ficado acertado em uma reunião ocorrida no início da semana passada, envolvendo os sem-terra e a Comissão Estadual do Procera (Cepro/PR), mas acabou sendo cancelado por um fax enviado pela comissão que alegou problemas administrativos relacionados à empresa de financiamento da cooperativa, a Credtar.


