'Sem-terrinha' reivindicam escolas no campo
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quinta-feira, 07 de outubro de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Perto de 1,3 mil crianças e adolescentes de acampamentos e assentamentos agrícolas de várias regiões do Estado estão participando, em Curitiba, do 5º Encontro de Sem Terrinha, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Além de ser uma comemoração antecipada ao Dia da Criança, o momento é de reivindicação por melhorias na área educacional. Hoje pela manhã, os ''sem-terrinha'' irão até a Secretaria de Estado da Educação, ao Instituto de Colonização e Reforma Agrária do Paraná (Incra-PR) e ao Palácio Iguaçu pedir mais escolas no campo.
O encontro de dois dias começou ontem. As crianças estão alojadas no Ginásio Tarumã, local onde também estão sendo realizadas as oficinas recreativas, de jogos, teatro e artesanato. As atividades contam com o apoio do departamento de Educação Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Secretaria de Estado da Cultura, Teatro Guaíra e de voluntários do Forúm Popular de Cultura.
A expectativa da sem-terrinha Tatiane Estevão Kozik, 12 anos, que mora no assentamento Oito de Abril, em Jardim Alegre (115 k ao sul de Apucarana), é a de conhecer o Zoológico de Curitiba, passeio programado para a tarde de hoje. Ela que participa pela terceira vez do encontro, disse que gosta das brincadeiras, mas que tem a oportunidade, também, de aprender muitas coisas. Estudante da 4 série do ensino fundamental, Tatiane pode ser exemplo para os governos investirem mais na educação no meio rural, pois afirma que não pretende deixar o campo quando crescer.
Esse não é o caso de Jorge Saibert, 10 anos. Apesar de ter muito tempo para decidir sobre seu futuro profissional, por enquanto, sua convicção é de morar na cidade e ser bombeiro.
Tatiane Leite da Silva, 12 anos, também divide a mesma expectativa: sair do campo para ter a oportunidade de se formar em veterinária e aí sim voltar para o meio rural para exercer a profissão.
Os três têm a oportunidade de frequentar a escola dentro do próprio assentamento, mas essa não é a realidade para a maioria. Segundo a coordenadora de Educação do MST, Maria Isabel Grein, são 80 escolas que atendem as comunidades de sem-terra, mas grande parte delas fica fora dos assentamentos. Além de aumentar o número de escolas, o MST reivindica que os projetos pedagógicos sejam voltados para a realidade do campo.
O Incra-PR informou, por meio a assessoria de imprensa, que os assentamentos e acampamentos reúnem cerca de 32 mil crianças em idade escolar. Das 80 escolas, cinco são itinerantes (acompanham os acampamentos) e atendem perto de 1,8 mil crianças. Do total de escolas, 64 são de ensino fundamental de 1 a 4 série, 12 de 5 a 8 e quatro de ensino médio. O Incra-PR mantém um banco de dados sobre os projetos da reforma agrária (número de famílias, crianças etc.), que pode ser consultado e servir de subsídio para definição de políticas públicas, inclusive para a educação, pelos governos municipais e estadual.


