Sem-terra voltam para área de onde foram expulsos
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Londrina - A Fazenda Antártica, em Marilândia do Sul (Norte do Estado), está sendo novamente ocupada por agricultores sem-terra ligados à Contag que haviam sido expulsos por ordem da Justiça há cerca de três semanas. Até o final da semana, a expectativa é que cerca de 150 famílias se fixem na área. Os trabalhadores reclamam que pelo menos oito casas, um curral e uma represa teriam sido destruídos no tempo em que estiveram fora e temem ser responsabilizados por isso.
No cumprimento da ordem de reintegração, efetivada no início do mês, o líder dos agricultores, Jair Garcia, citou que por volta de 30 famílias foram retiradas e ficaram alojadas numa área que seria da Polícia Militar, em Marilândia, em péssimas condições. As famílias viviam amontoadas em barracas de lona e as chuvas que atingiram a região transformaram o local em um lamaçal. O espaço era dividido com porcos, bois, galinhas, cães e cavalos. Por causa da situação de risco vivida pelas crianças (cerca de 15, sendo algumas recém-nascidas), o Conselho Tutelar e a Promotoria de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente foram acionados e algumas delas foram levadas para casas de parentes.
No último final de semana, os agricultores decidiram retornar à fazenda. Garcia apontou que pelo menos mais 120 famílias de acampamentos da região deverão se juntar às 30 que já estão no local, nos próximos dias.
Os sem-terra reclamaram que ao voltarem à fazenda, na qual estavam há cerca de três anos, encontraram oito casas completamente destruídas. Além disso, o curral onde lidavam com os animais também foi queimado e demolido e a represa que servia ao gado foi esvaziada, causando a mortandade em massa dos peixes. Apenas o imóvel usado como sede foi preservado. Até nossas plantas feijão, milho, arroz foram perdidas. Teve família que tirou o dinheiro da boca das crianças para plantar e agora perderam tudo, criticou.
Hoje, os líderes da Contag na região pretendem se reunir com representantes do Incra, em Curitiba, para buscar uma solução. Eles alegam que o órgão já teria feito três vistorias na área e querem uma posição definitiva.
Por telefone, o proprietário da fazenda, Hermes Lúcio dos Santos, afirmou que já entrou com nova ação de reintegração de posse na Justiça e que não tem intenção de negociar a área para fins de reforma agrária.


