Manoel Ribas - A tensão no acampamento montado há 20 dias pelo MST na Fazenda Três Marias é ainda maior do que a que está presente na barreira dos fazendeiros. Qualquer tipo de movimentação é motivo para correria e nervosismo. Na manhã de ontem, os motoristas de quatro caminhões carregados de calcário que passavam pelo local foram barrados pelos sem-terra. Quando avistaram de longe os veículos, integrantes do MST, inclusive crianças, saíram correndo na direção deles, armados de facas, facões e foices, acreditando serem jagunços enviados pelos fazendeiros. Ao constatarem do que se tratava, ''escoltaram'' os caminhões por alguns metros.
Segundo um dos coordenadores regionais do MST, Mário Debona, a obstrução da entrada deixou os acampados sem comida e sem remédios. ''Tem gente doente aqui e não temos como ir até a cidade para comprar medicamentos'', afirmou. Os proprietários da fazenda acusaram o MST de roubar o gado que existe no local. Debona disse que a informação não procede. ''Pode ser que algumas cabeças morreram, mas não foi culpa nossa'', comentou.
Ele afirmou que as famílias não vão deixar a área mesmo que se cumpra a reintegração de posse. ''Queremos que haja uma negociação, com o Incra e com os fazendeiros. Não aceitamos nem a transferência para outra área'', garantiu Debona.

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