Os 500 trabalhadores ligados ao Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se preparam para resistir a uma tentativa de desocupação da Fazenda Renascença, do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, em Uruana, MG. Eles construíram cercas de bambus com estacas pontiagudas para fechar as entradas do acampamento dentro da fazenda, ocupada anteontem, e a recolheram cobras venenosas, como cascavéis e jararacuçus, que pretendem jogar na polícia. As negociações com o governo de Minas Gerais fracassaram e a Polícia Militar já está mapeando o local, de helicóptero, para a operação de desocupação.
‘‘Se a polícia vier para cima nós vamos jogar as cobras e reagir’’, disse Carlos Santos, conhecido como Pingo, segurando um saco com uma cobra de 1,5 metro. Os sem-terra garantem que até hoje já tinham capturado seis cobras. As cercas de estacas foram colocadas nas principais entradas do acampamento, montado na margem do córrego Buritizinho. Os sem-terra pretendem enfrentar a polícia com foices, facões e porretes. Alguns sem-terra acompanham a movimentação dos soldados de cima de árvores altas.
O momento de maior tensão no acampamento foi na manhã de ontem, quando um grupo de oito policiais foi fazer o reconhecimento da área e os sem-terra saíram do acampamento, xingando os policiais. O grupo de policiais abandonou a área.
O MST planeja novas ocupações dentro da fazenda, como a invasão dos galpões de uma das sedes. ‘‘Mais da metade dos companheiros quer ir para a sede’’, disse um dos coordenadores regionais do MST, Jorge Augusto Xavier. ‘‘E se não atenderem à pauta vamos ficar dois meses na fazenda.’’
O governador Itamar Franco enviou à fazenda o presidente do Instituto de Terras do Estado, Marcelo Resende, e o chefe do Gabinete Militar, coronel Rúbio Coelho. Nos três encontros com os sem-terra, o clima foi de bate-boca. O governo de Minas anunciou que só vai negociar com a retirada das famílias da Renascença.
O comandante do 10º Batalhão da PM, coronel Ciro Oliveira, afirmou que há ‘‘risco’’ de morte de sem-terra e de policiais, caso ocorra uma operação de desocupação.

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