Famílias afirmam que foram expulsas por discordar das exigências do movimento
Marcos NegriniDISSIDENTESOs sem-terra que foram ‘‘despejados’’ da área: ‘‘Eles entraram nas casas, tiraram todos os nossos móveis e jogaram em cima de dois caminhões; depois deram prazo de meia hora para a gente deixar o assentamento’’, relatou Osvaldo Miranda, um dos integrantes do grupo e que foi expulso do local
De Maringá
Integrantes de sete famílias que estavam na Fazenda São Carlos, em Arapongas (37 quilômetros a oeste de Londrina), prestaram queixa na Delegacia de Floresta (25 quilômetros a oeste de Maringá) contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Eles afirmam que foram expulsos da fazenda – área desapropriada pelo Incra e em fase de transformação em assentamento – por não concordarem com as exigências do MST. O despejo das famílias foi feito na manhã da última quinta-feira, quando a maioria dos trabalhadores dissidentes não estava em casa.
O trabalhador Osvaldo Miranda, 54, disse ontem à Folha, que foi expulso do acampamento por cerca de 150 sem-terra. A maioria deles, conforme Miranda, eram do próprio assentamento e teriam invadido as casas dos trabalhadores dissidentes por volta das 6h30 de quinta-feira. ‘‘Eles entraram nas casas, tiraram todos os nossos móveis e jogaram em cima de dois caminhões; depois deram prazo de meia hora para a gente deixar o assentamento’’, denunciou.
O despejo ocorreu, conforme Miranda, porque os trabalhadores das sete famílias não concordam com a direção do MST e não teriam aceitado assinar um documento no qual todos se comprometeriam a participar de invasões de fazendas e ocupações de agências bancárias; e ainda a repassar parte do dinheiro que seria liberado do financiamento para o plantio das lavouras à direção do MST.
‘‘Não suportamos as exigências porque o que nós queremos é plantar e não fazer baderna’’, disse Miranda. Eva de Fátima Oliveira, mulher de Miranda, disse que alguns sem-terra que fizeram o despejo das famílias, estavam encapuzados e a maioria estava armada. ‘‘Eles apontaram uma arma para o meu filho de 13 anos. Ele (o filho) está traumatizado’’, afirmou.
O trabalhador José Carlos Vivan disse que os sem-terra destruíram a casa que ele construiu na Fazenda São Carlos. ‘‘Eu quero o ressarcimento dos prejuízos que tive porque a minha casa eu construí com madeira doada por amigos meus de Floresta e com uma parte de madeira que eu comprei. Hoje não tenho onde ficar’’, desabafou.
Os móveis das famílias dissidentes do MST foram deixados na fazenda de propriedade de Severino Baquetta, em Floresta. Na fazenda mora o filho de José Vivan. Inconformados com a forma como foi deixada a mudança, as famílias se mudaram para o sítio ao lado, de propriedade do vereador Claudemir Maceis. Maceis é cunhado do também vereador Francisco Carlos de Marchi – conhecido como Chicão, que é simpatizante do MST e que teria levado as famílias até a Fazenda São Carlos, em maio do ano passado.
‘‘O vereador ‘Chicão’ levou a gente até o assentamento e depois nos abandonou. A gente está no sítio do cunhado dele porque não temos para onde ir’’, justificou Vivan.
A Folha não conseguiu falar com os vereadores Francisco Carlos de Marchi e Claudemir Maceis. A coordenação do MST afirma que a denúncia não é verdadeira (ver texto ao lado).

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