Sem-terra transferem acampamento para margem de rodovia
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segunda-feira, 15 de março de 1999
Por José Maria Tomazela 
Porto Feliz, SP, 16 (AE) - As mil famílias de sem-terra que há 40 dias invadiram a Fazenda Engenho Dágua, do grupo União São Paulo, em Porto Feliz, no interior de São Paulo, deixam a área amanhã (17) e transferem o acampamento para o quilômetro 99 da Rodovia Castelo Branco. Segundo o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Gilmar Mauro
as famílias decidiram cumprir a liminar de despejo dada no dia 8 de fevereiro, um dia após a invasão, pela juíza de Porto Feliz
Daniela Botoliero Ventrice. "Mas vamos montar o acampamento em um local bem visível para que o governo não esqueça que tem que assentar as famílias", afirmou. A Castelo é uma das principais auto-estradas paulistas e liga a capital ao oeste do Estado. Segundo Mauro, além do terreno da margem direita da rodovia, sentido capital-interior, que pertence ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o acampamento denominado "Nova Canudos" vai ocupar uma faixa de terras já utilizadas para um assentamento, em Porto Feliz. O terreno pertenceu à extinta Cooperativa Agrícola de Cotia e foi destinado pelo governo a 26 famílias de sem-terra. Hoje à tarde, os barracos do acampamento, na Engenho Dágua, começavam a ser desmontados. A mudança deve começar de madrugada e terminar até o meio-dia. Ínibus e caminhões foram colocados à disposição dos sem-terra pelo grupo proprietário da fazenda. Grupo - Segundo Gilmar Mauro, os acampados vão esperar que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) realize vistorias na região para detectar áreas para o assentamento das famílias. "Queremos que as vistorias levem em conta não apenas o aspecto da produtividade, mas também as questões ambiental, trabalhista e de dívidas." De acordo com ele, as fazendas do grupo União São Paulo, com 16 mil hectares, embora tenham produção, deverão ser vistoriadas. "Além de praticar monocultura, o grupo deve para o governo".
Segunda-feira à noite, em reunião no Incra, foi acertada a formação de uma comissão integrada pelo Ministério Público, Ministério do Trabalho, Incra, Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) e MST, para definir novos assentamentos no Estado. O senador Eduardo Suplicy, que participou do encontro, integra a comissão, que tem nova reunião marcada para o próximo dia 26.


