Agência Estado
De Bauru
Os sem-terra que desde o dia 19 do mês passado ocupavam a Fazenda Val de Palmas, em Bauru, no interior de São Paulo, atearam fogo em três casas da propriedade ontem pela manhã, quando a Polícia Militar chegou ao local para cumprir a ordem de desocupação expedida pelo juiz Mauro Ruiz Daró, da 3ª Vara Civil de Bauru. O fogo alastrou-se e acabou atingindo uma quarta casa. Enquanto isso, os acampados resistiam a ordem de despejo. Por volta do meio-dia, após uma reunião entre representantes da PM, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e acampados, os sem-terra aceitaram deixar a área. A desocupação teve início no final da tarde.
Além da destruição das casas, o grupo é alvo das investigações um incêndio no pasto. Os sem-terra são acusados de abater pelo menos 80 cabeças de gado. Os prejuízos só poderão ser dimensionados após a desocupação. De acordo com a proprietária da fazenda, Selma Nassrala Kassis, sua família esteve impedida de entrar na área durante a ocupação. Ela afirmou ainda que as três famílias de empregados que residem na fazenda foram mantidas em cárcere privado e impedidas de sair.
A Val de Palmas é uma das pioneiras do município. A gleba principal e quatro sítios anexos, todos da mesma família, tem 360 alqueires e, antes da invasão possuía 1.100 cabeças de gado de corte, plantações de milho, cana e mandioca. A casa-sede é considerada histórica e estava em restauração para a instalação de um museu sobre a colonização regional. Durante a reunião com os acampados, a representante do Incra, Rose Beltrão, informou que na próxima segunda-feira uma equipe do órgão estará em Cabrália Paulista para inspecionar a Fazenda Santo Antônio, de onde o grupo foi retirado no mês passado. O instituto também deverá verificar se a Val de Palmas também está entre aquelas fazendas passíveis de desapropriação para reforma agrária.

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